Com quatro nacionais, Rubens Minelli nunca dirigiu a Seleção Brasileira

Da esquerda para a direita: Rubens Minelli, Felipão e Candinho (Reprodução/Rafael Ribeiro/CBF)

Rubens Minelli completou 90 anos em dezembro de 2018, 20 anos após seu último trabalho como treinador. Campeão brasileiro pelo Palmeiras, duas vezes pelo Internacional e pelo São Paulo, Rubens Minelli foi um dos treinadores mais vitoriosos do Brasil, mas curiosamente nunca treinou a Seleção Brasileira.

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Nascido em São Paulo, Rubens Minelli começou no futebol como ponta-esquerda de Ypiranga e Nacional, passando por Palmeiras e São Paulo antes de atuar por Taubaté e São Bento. Na terra de Monteiro Lobato, conquistou seu único título como jogador, o da Segunda Divisão Paulista em 1954. No São Bento, fraturou a perna e encerrou a carreira prematuramente em 1956.

Aposentado dos gramados e formado em Economia - que cursou enquanto atuava pelo São Bento - Rubens Minelli conseguia arrumar tempo para treinar times da USP (Universidade de São Paulo) mesmo sendo funcionário dos Correios. Foi um dos seus ex-comandados na universidade - ex-ponta-esquerda, como Minelli - quem lhe abriu as portas de um grande clube. Canhotinho, ídolo do Palmeiras nas décadas de 1940 e 50, levou Rubens Minelli para treinar as divisões de base do alviverde por 5 anos.

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Da segundona paulista ao tricampeonato brasileiro consecutivo

Em 1963, na primeira chance em uma equipe profissional com treinador, repetiu seu único título como jogador, a Segunda Divisão estadual pelo América de Rio Preto, com o qual também foi campeão do Interior no ano seguinte.

Após boas passagens, mas sem títulos, por Botafogo-SP, Sport Recife, Francana e Guarani, voltou ao Palmeiras em 1969 como treinador da equipe profissional e conquistou seu primeiro título nacional, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1969.

Do Palmeiras, passou por Portuguesa e Rio Preto - onde conquistou o Torneio de Seleções e tornou-se como único treinador campeão pelos dois clubes da cidade - antes de se mudar para Porto Alegre para treinar o Internacional. Lá conquistou os três últimos campeonatos gaúchos do octa estadual - 1974 a 1976 - e os dois primeiros campeonatos brasileiros do Colorado gaúcho, em 1975 e 1976.

Voltou a sua São Paulo natal para comandar o Tricolor Paulista na campanha vitoriosa do Campeonato Brasileiro de 1977, conquistado nos pênaltis sobre um invicto Atlético Mineiro. Campeão brasileiro pela terceira vez consecutiva, só restava a Seleção Brasileira. Mas não foi bem isso que aconteceu.

Frustração com a Seleção, petrodólares e campeão com Rivellino

Campeão brasileiro nos três anos anteriores, esperava-se que Rubens Minelli fosse o treinador da Seleção Brasileira na Copa de 1978, na Argentina. Mas a CBF, então presidida pelo militar Heleno Nunes, um almirante, preferiu Cláudio Coutinho, um o capitão. Sobrou então para o civil Rubens Minelli ir à Copa de 1978 como comentarista. Segundo o próprio Minelli, o presidente da CBF o teria procurado durante o Mundial para passar dicas a Claudio Coutinho de como armar a equipe.

Minelli seguiu no São Paulo até 1979, quando os petrodólares o levaram ao Al-Hilal, da Arábia Saudita, onde foi treinador de Rivelino, tricampeão em 1970 e camisa 10 do Brasil nas Copas de 1974 e 1978, nas conquistas do Campeonato Saudita e da Copa do Rei.

Campeão pela dupla Grenal e títulos em cima de Real e Barcelona

De volta ao Brasil, Rubens Minelli conquistou apenas um título na década de 1980, o Campeonato Gaúcho de 1985 à frente do… Grêmio, arquirrival do Internacional que Minelli treinara uma década antes. Foi o início do que seria o mais um hexa estadual gremista.

Com o Gauchão de 1985, Rubens Minelli entrou na galeria de treinadores campeões tanto pelo Internacional quanto pelo Grêmio, dupla GreNal. Minelli também conquistou títulos sobre Real Madrid - o Torneio Ramon de Carranza - e Barcelona - a Taça de Barcelona - em 1969, pelo Palmeiras.

Minelli passou pelo Sport Club Internacional (Reprodução/Sport Club Internacional)

Pioneiro nas estatísticas

Se em 2019 as estatísticas sobre treinadores e jogadores estão disponíveis na rede, Rubens Minelli já anotava dados sobre equipes adversárias na década de 1960, além de usar fotografias para mostrar aos jogadores o posicionamento do adversário. Também foi o primeiro treinador brasileiro a utilizar videocassete.

Minelli também ficou famoso por dar liberdade aos jogadores para atuar quando estavam com a posse de bola e ouvir rigorosamente suas instruções quando estivessem sem ela.

Cartolas, os adversários que venceram Minelli

Após encerrar a carreira como treinador em 1998, Rubens Minelli atuou como dirigente de São Paulo, Atlético Paranaense, Paraná Clube e, por fim, Avaí em 2002. O conhecimento de mais de cinco décadas de futebol, no entanto não foi suficiente para lidar com os eternos problemas políticos internos dos clubes brasileiros. Dali em diante, nenhum clube contaria mais com os serviços de Rubens Minelli. Mas não era o fim da relação entre Minelli e o futebol.

Em 2008, Rubens Minelli voltou ao futebol como comentarista da Rádio Jovem Pan e até 2018, quando completou 90 anos, seguia apaixonado pelo esporte, acompanhando atentamente qualquer partida de futebol que estivesse passando na TV, seja da Liga dos Campeões ou da quinta divisão paulista.