Ruan Aguiar separa Ravi e Joy em 'Um Lugar ao Sol' e põe 'fogo no parquinho'

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Estou mega nervoso", avisa Ruan Aguiar assim que começamos nosso bate-papo por telefone. O ator de 22 anos afirma ainda não ter muita familiaridade com entrevistas, mas deixa claro que quer mudar isso, e se solta logo. Enumera trabalhos, conta histórias, aponta ídolos.

Morador de Madureira, zona norte do Rio, o jovem estreia nesta terça-feira (11) em "Um Lugar ao Sol" (Globo), na pele de Damón. Um pichador e slammer --nome dado a quem participa de batalhas de poesia-- que encantará Joy (Lara Tremouroux) e complicará seu casamento com Ravi (Juan Paiva).

"É fogo no parquinho", afirma o ator ao comentar sua participação na trama de Lícia Manzo. "Posso deixar claro que Damón é um cara muito poeta, inteligente e bastante revoltado com a desigualdade no mundo. Mas ele se perde muito em como lutar pelos seus direitos, acaba sendo hipócrita em alguns momentos."

Segundo Aguiar, a parte do slammer foi fácil, já que é uma prática sua emprestada ao personagem --tanto que um slam seu estará na novela. O difícil mesmo foi se imaginar como um sedutor e, claro, a parte de pintar. "Mas não posso dizer que nada disso seja um desafio, é um prazer. É muito bom mergulhar em um universo desconhecido."

Universo esse que Aguiar acabou mergulhando meio sem querer. O rapaz fazia um teste para outro projeto quando encontrou a atriz Lara Tremouroux, que ele já conhecia, na praça de alimentação dos Estúdios Globo, por acaso. Conversa vai, conversa vem, e uma mulher sentou com eles: Lícia Manzo.

Eles falaram sobre trabalho, sobre a vida, sobre o slam. Três semanas depois, nada do projeto novo. Quem ligou para Aguiar foi o Maurício Farias, diretor de "Um Lugar ao Sol". "Eu desmaiei, fiquei pálido, chorei, falei para minha mãe, falei para minha avó, e depois disse sim", brinca o artista em tom eufórico.

Apesar da felicidade e de admitir que essa foi sua maior oportunidade profissional até agora, Aguiar já tinha familiaridade com as novelas e com os corredores da Globo. Repete várias vezes as participações que já fez. "Conta junto comigo", propôs durante nossa conversa de quase uma hora por telefone antes de começar a enumerar.

"Onde Nascem os Forte" (Globo, 2018), "Verão 90" (Globo, 2019), "Amor de Mãe" (Globo, 2019), "Filhos da Pátria" (Globo, 2017), "Bom Sucesso" (Globo, 2019), "Jezabel" (Record, 2019), "Galera FC" (HBO Max, 2021), "Dom" (Amazona Prime Video, 2021), além de três comerciais. E "Malhação - Vidas Brasileiras", seu xodó na lista.

Apesar dos vários trabalhos, Aguiar conta que queria mesmo é ser jogador de futebol. Foi a morte de seu pai, quando tinha apenas 11 anos, que provocou uma mudança brusca em sua vida. E o teatro entrou aí, como uma tentativa de sua mãe para ajudá-lo a se expressar, a entender seus sentimentos.

"Fiquei muito revoltado, passamos por muita dificuldade e minha mãe foi aconselhada a me colocar no teatro. Depois de cinco anos, já tinha feito 10, 15 peças --hoje, tenho 26", conta ele, deixando claro que ser irmão de Arthur Aguiar, 32, não o fez batalhar menos. "Foi tudo um passo de cada vez", afirma o ator.

SUCESSO ALÉM DOS NÚMEROS

Após a felicidade de conseguir um papel em uma novela das 21h da Globo, Ruan Aguiar afirma que logo veio um balde de água fria, e ele veio na forma de pandemia. Após um ano cheio de trabalho em 2019, com participações em novelas e séries de sucesso, o ator logo se viu sem trabalho e sem dinheiro.

"Foi um caos", resume. "Meu medo era que a novela fosse cancelada. A pandemia começou em março e meu dinheiro acabou entre junho e julho. Fiquei até maio de 2021 sem receber", completa ele, que afirma ter vivido de cesta básica e doação de amigos e familiares. Pelo menos a novela não ter sido cancelada.

"Fico bem feliz de vencer esses obstáculos. Foi um ano que mostrou como sou querido. Sucesso não está no número de seguidores, não está em quanto você ganha, mas está nessas relação que me apoiaram, me sustentaram por um ano", diz ele, que vive com a mãe e a avó, que logo entraram na nossa conversa.

Entre muitos elogios, as duas dizem ver de forma diferente o novo trabalho de Aguiar. Tânia, a mãe, afirma estar anestesiada, "a ficha ainda não caiu", enquanto dona Necy, a avó, diz que não tem nada anestesiado nela, "era isso que eu esperava". "Eu confio nele. Ele é duro, certinho, eu esperava por isso", diz orgulhosa.

E no que depender de Aguiar, dona Tânia e dona Necy terão muito que se orgulhar ainda, já que uma participação em "Além da Ilusão", próxima novela das 18h, já está certa. "Quero construir cada vez mais pilares sólidos como ator. Algumas portas já estão se abrindo, estou muito feliz. Acredito no tempo das coisas, no amadurecimento", afirma ele.

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