Romulo Estrela, de 'Travessia', diz que hacker dúbio não pode ser considerado mocinho

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Romulo Estrela, 38, diz não estar conseguindo esconder a felicidade de protagonizar sua primeira novela na faixa das 21h da Globo. Segundo ele, o convite para viver o dúbio Oto, um hacker que vai disputar o coração da mocinha de "Travessia", chegou no momento certo.

"As oportunidades de trabalho foram do tamanho do que eu tinha para entregar", afirmou durante bate-papo com a imprensa para apresentar a novela. Até então, os papéis de protagonista haviam sido em faixas menos concorridas, como em "Deus Salve o Rei" (2018) e "Bom Sucesso" (2019), ambas das 19h.

Para o ator, a complexidade do personagem está no fato de ele não ser exatamente um homem acima de qualquer suspeita. "A gente não pode olhar para ele e achar que é um mocinho", conta. "Ele é um hacker, não dá para achar que o que ele faz é uma coisa boa. Eu não distancio ele desse lugar, mas, como todos nós, ele tem vários lados. A gente tem essa dualidade, essa dúvida o tempo inteiro."

Estrela afirma que essa dubiedade é o que mais o afasta do personagem. "Nós, intérpretes, sempre emprestamos um pouco de nós para os personagens", explica. "Ele gosta de conhecer lugares novos e viajar, isso eu também gosto, mas ele é muito misterioso e eu sou um cara de fácil leitura. Ele é mais discreto e reservado em tudo o que faz."

O que vai desencadear uma mudança no personagem é o encontro com Brisa, personagem de Lucy Alves, que é a mocinha da história. "Oto é um cara do mundo, nômade, nunca parou em um lugar para ficar com alguém, o que pega ele é a possibilidade de acontecer isso com a Brisa", comenta o ator.

"Ele é aquele cara que chega nos lugares, mas não vê a hora de ir embora, está sempre pensando no próximo passo", antecipa. "Quando ele encontra a Brisa, vê a possibilidade de algo diferente, e isso quebra as expectativas dele."

O ator também destaca que, em alguns aspectos, Oto e Brisa se parecem. "Ela é uma mulher que luta por tudo o que ela quer, está sempre na atividade, e ele é um cara muito autônomo", compara. "Isso atrai um pouco o Oto."

Os dois vão se encontrar quando Brisa, fugindo de ser linchada após ser confundida com uma criminosa, entrar no bagageiro do carro de Oto. Ele, que queria passar despercebido no local por estar fazendo mais uma de suas atividades duvidosas, vai descobrir ela ali só quando já estiver longe.

"A atração dos dois se dá através do inusitado, e isso é um atrativo para ele. O Oto tem alguma coisa romântica que desperta nele -e isso assusta ele um pouco", confirma a autora Gloria Perez. Esse homem quebra as noções de ética para fazer hackeamento, mas, em relação a Brisa, ele descobrirá que terá culpa."

Sobre a autora, com quem está trabalhando pela primeira vez, Estrela é só elogios. "Gloria tem capacidade de desenvolver personagens de maneira muito dinâmica", avalia. "Por mais que seja ficção, tem uma pesquisa por trás. E a gente se sente muito próximo das palavras, elas são muito próximas de coisas possíveis de eu falar, ouvir e de acontecer. Isso também aproxima muito a história que a gente está contando do público."

Para Estrela, a novela tem ainda um gostinho especial por ter locações em sua cidade natal, São Luís (MA). Com isso, ele diz que conseguiu dividir com os colegas várias curiosidades sobre o local, como os pratos típicos e algumas palavras que fazem parte do vocabulário da região.

"Eu saí de São Luís para isso [para ser ator], então retornar gravando uma novela é uma grande satisfação", afirma. "É uma etapa da minha carreira com a qual eu fico muito feliz e brindo ela, porque sinto que é uma conquista."