Rodrigo do BBB19 foi julgado por seu ronco, mas é possível sanar o problema?

Colaboradores Yahoo Vida e Estilo
Vitor Pollack/TV Globo
Vitor Pollack/TV Globo

Por Bruna Kalaes

Todos os anos, com o início do Big Brother Brasil, começam também as polêmicas. Desta vez, o primeiro desentendimento na casa não foi ocasionado pelas tradicionais combinações de votos ou divisão de comida, mas pelo ronco excessivo do participante Rodrigo, que resultou em reclamações e em uma reunião para sugerir que o brother fizesse um revezamento de quartos. O baiano reconheceu o fato, se mostrou compreensivo, porém não conseguiu disfarçar o constrangimento “Não quero ficar conhecido como o cara que ronca”, disse. Climão, né?

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Para quem sofre com o distúrbio, situações desagradáveis como a de Rodrigo não são incomuns e ficam mais evidentes no período de férias e feriados prolongados, quando viagens e eventos com família e amigos são mais comuns. Foi o que aconteceu com o advogado Antonio* aos 25 anos em seu primeiro mochilão pela Europa. “Para economizar e conhecer gente nova, optei por me hospedar em quartos coletivos de hostel. Certa noite, estava dormindo em Praga (República Tcheca) e um desconhecido, ligeiramente irritado, me acordou dizendo que eu estava roncando muito. Escutei uma pessoa me xingando em inglês e fiquei muito envergonhado. Por sorte, era minha última noite por lá. Fui embora sem amigos”, brinca.

Respeito e afetividade

Para o psicólogo e professor da FADISP Luiz Francisco Júnior, a melhor forma de abordar o tema é com respeito e demonstrando afetividade. “Em vez de expor a pessoa, o ideal é que os mais próximos ou com mais tato dialoguem e expliquem o que está acontecendo, até porque muitas vezes quem ronca nem sabe. Assim, podem juntos pensar em alternativas, por exemplo, deixar a pessoa que ronca sozinha no menor quarto ou com alguém que tenha o sono mais pesado”. Júnior aconselha que o roncador não assuma um papel vitimista, como se o outro fosse insensível à sua situação. “Agir com transparência é a melhor maneira para minimizar conflitos. A pessoa pode dizer ‘tenho um problema e vou me tratar, mas enquanto isso, vamos juntos buscar o melhor caminho possível’”, aconselha.

Leia mais: Por que voz fina como a de Paula do BBB19 incomoda tanto? Tem tratamento?

É possível parar de roncar?

Getty Images
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Qualquer um está sujeito a episódios de ronco ao final de um dia de cansaço extremo ou por uma gripe, por exemplo. A médica Sônia Togeiro, do Instituto do Sono, explica que quando dormimos nossa garganta relaxa e a língua desce um pouco, comprimindo o caminho da respiração. “O ronco nada mais é que o ruído do ar passando por esse canal que está mais estreito”. Contudo, quando a condição passa a interferir na qualidade do descanso e a trazer consequências no dia a dia, é preciso investigar sua origem consultando-se com um otorrinolaringologista, neurologista ou pneumologista.

Algumas causas são mais comuns a determinados grupos, a exemplo do aumento de adenoide — um conjunto de tecido linfático — e amígdalas nas crianças, mas na fase adulta a maior vilã costuma ser a obesidade. “O problema é bastante associado às pessoas obesas uma vez que a gordura ao redor da garganta aumenta e também porque devido ao volume abdominal temos mais dificuldade para respirar”, diz Togeiro. Fatores como o fumo, consumo de bebidas alcoólicas e remédios para dormir podem acentuar a situação, já que influem diretamente no relaxamento dos músculos da região. “Nesses casos, a primeira recomendação é que a pessoa emagreça e mude esses hábitos”, afirma a médica.

O médico pode encaminhar o paciente para uma polissonografia, exame que monitora os níveis de sono. “Por meio dele é possível avaliar o cenário geral, se a pessoa ronca muito alto, se ela se engasga durante o sono, se seu descanso é interrompido por muitas vezes”, explica Togeiro. Este exame serve para diagnosticar distúrbios como a apneia (obstrução parcial ou total da passagem de ar pela garganta durante o sono) que pode baixar a oxigenação, causar arritmia até mesmo resultar em hipertensão, diabetes e insuficiência cardíaca.

Queixo, céu da boca e o formato da língua também interferem

A formação óssea e a estrutura anatômica da face, como queixo retraído, céu da boca muito estreito e até mesmo o formato da língua também podem influenciar no ronco e, dependendo do grau do incômodo, a solução pode ser cirúrgica. Foi assim com a administradora de empresas Isabela*, 34, que a partir dos 20 anos de idade passou a roncar com frequência.

“Quando fui morar com meu ex-namorado, todas as noites ele me acordava e reclamava, isso me incentivou a procurar um otorrino. Após uma polissonografia e uma tomografia foi detectado que por conta de um desvio de septo eu fazia um grande esforço para respirar e por isso abria a boca para puxar o ar”. O caso de Isabela foi resolvido com uma cirurgia bem sucedida que corrigiu o problema no nariz e também um músculo do lábio superior.

Nos casos em que diversas tentativas não obtiveram o resultado desejado, o médico pode recomendar o uso do aparelho de pressão positiva nas vias aéreas chamado CPAP, uma máscara que facilita o fluxo de ar, melhora os níveis de pressão, fadiga e disposição; porém, apesar de eficiente, o CPAP é caro e incômodo. Outra possibilidade é uma cirurgia para aumentar o tamanho da garganta, contudo, diante dos seus resultados controversos, ela é pouco recomendada.

Se você sofre com o ronco, não ignore o problema e busque o tratamento adequado para melhorar sua qualidade de vida e também a de quem está ao seu redor.