Rock in Rio festeja Elza Soares em clima de polarização em show emocionante

RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL, 11-09-2022: Power! Elza vive, um show em homenagem a Elza Soares, no palco Sunset, durante o quarto dia do segundo final de semana do festival Rock in Rio, no Parque Olímpido, na zona oeste do Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL, 11-09-2022: Power! Elza vive, um show em homenagem a Elza Soares, no palco Sunset, durante o quarto dia do segundo final de semana do festival Rock in Rio, no Parque Olímpido, na zona oeste do Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Elza Soares renasceu nesta tarde de garoa do último dia do Rock in Rio, no palco Sunset. Consagrada como a voz do milênio em 1999, a cantora foi homenageada num tributo emocionante, conduzido por Majur, Agnes Nunes, Caio Prado, Mart'nália, Gaby Amarantos e Larissa Luz.

"Elza Soares foi até o fim do mundo para começar tudo outra vez", disse Luz, que encarnou a cantora num musical de 2018. "Seu canto é uma peça de acalento que não nos deixa sucumbir e nos diz o tempo inteiro 'não ouse desistir'. Agora só nos resta agradecer."

"Power! Elza Vive, um Show em Homenagem a Elza Soares" teve um público pequeno - possivelmente devido ao clima nublado -, mas empolgado. Músicas como "A Carne", "Volta Por Cima", "Comportamento Geral", "Malandro" e "Maria da Vila Matilde" estiveram na setlist.

Gaby Amarantos usava um vestido estampado com o rosto de Elza e carregava sobre os ombros camadas de tule preto bufante. Num momento descontraído, a cantora deu um selinho em Mart'nália, que levou samba ao palco.

Em "Se Acaso Você Chegou", a filha de Martinho da Vila fez ainda passes de capoeira, celebrando a cultura afro-brasileira, ao som afiado de cuícas, tambores e pandeiros.

Como uma passista de escola de samba, Majur foi ovacionada pelo público quando sambou em "Salve a Mocidade". Em vários momentos, ela entoou o coro "Elza vive."

Nunes levou à apresentação um tom de delicadeza, endossado pelos vocais agudos, e pôs o público para dançar, enquanto Caio Prado brincou com estereótipos de gênero e fez sutil aceno à polarização política do país. Sua roupa se dividia ao meio -uma parte era um vestido vermelho e a outra um uniforme da seleção brasileira de futebol.

"O Brasil merece dias melhores sem fome, com saúde e educação", disse o cantor, que também celebrou "as baixas pretas, trans, lésbicas e toda diversidade" e cantou sua "Não Recomendado".

"Elza Soares representava a inclusão. Quero cantar a resistência do samba, e com amor para que nossa rainha possa ouvir. Vamos emanar esperança para um país feliz de novo", afirmou Prado.

Nessa mesma linha política, Luz pediu para que o público cuide das pessoas pretas brasileiras. O tributo ainda lembrou que o rock n' roll é um gênero de origens negras.

Durante o show todo, fotos da homenageada invadiam o telão. No início da apresentação, um vídeo da cantora falando sobre feminismo também foi exibido.

Em um dos momentos mais emocionantes, ao som de "Banho", Luz pediu para que o público erguesse as mãos para vibrar em comemoração ao legado da intérprete. O show encerrou ao som do hit "A Mulher do Fim do Mundo", fazendo a plateia toda gritar o pedido de Elza para que a deixassem cantar até o fim.