Rock in Rio chega ao final com bandas indie

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O último dia de Rock in Rio começou neste domingo (6) com parcerias entre artistas brasileiros e portugueses, Nickelback agitando a plateia e Herbert Vianna chamando Brasil de "país de quinto mundo" no palco principal.

Com fãs ensandecidos em frente ao palco, o Nickelback começou o show com uma música anti-clímax, "Feed the Machine", a única nova do repertório. Logo depois, puxaram o hit "Photograph".

Num dia com a programação mais indie, os Paralamas do Sucesso abriram o palco Mundo com uma apresentação meramente protocolar.

Desde que voltou a acontecer no Brasil, em 2011, o Rock in Rio costuma escalar as mesmas bandas brasileiras para abrir o palco principal. No domingo, a responsabilidade foi dos roqueiros.

O show não teve muitas novidades em relação às participações anteriores do grupo fluminense no Rock in Rio. Foram recebidos com euforia muito menor que Anitta, que tocou no mesmo horário e espaço no dia anterior.

O vocalista Herbert Vianna elogiou a organização do festival por "montar um espetáculo desse tamanho num país tão quinto mundo quanto o Brasil".

As faixas que mais colaram com o público foram as baladas, como "Aonde Quer Que Eu Vá" e "Lanterna dos Afogados". Foi um show que cumpriu sua função, a de esquentar uma plateia nitidamente à espera das outras atrações.

As principais atrações da última noite, Imagine Dragons e Muse, não haviam se apresentado ainda até o encerramento desta edição.

O palco secundário abriu com duas misturas entre Brasil e Portugal. Começou com a nacional O Terno e a lusitana Capitão Fausto, que abriram o último dia do Rock in Rio em absoluta sintonia --tiveram até de levantar as mãos nos minutos iniciais para apontar quem era de qual banda.

As duas, de estilos semelhantes mas sotaques diferentes, compartilham o espírito hipster, a inspiração nos anos 1960 e as letras com temas profundos e pessoais.

Já haviam tocado juntas antes num pocket-show, em abril, como parte de uma ação do Rock in Rio Lisboa para comemorar os 15 anos do festival na capital portuguesa com misturas luso-brasileiras.

Foi o que aconteceu também com a dupla da apresentação seguinte. Mas, se a harmonia era perfeita no show anterior, nesta houve alguma dissonância.

Os irmãos da banda Melim fizeram o público cantar em coro com seus hits radiofônicos good vibes, com pegadas de reggae, pop e MPB.

No entanto, quando um dos integrantes chamou a portuguesa Carolina Deslandes para o palco, a plateia começou a se dispersar. Suas três músicas não tão "good vibes", desanimaram o público. "Gente, essa mulher está muito sofrida, vamos embora?", dizia uma mulher às amigas.

Lulu Santos fechou a programação nacional desta tarde, para um público animado. Com o benefício da fama reconquistada com a participação como jurado do The Voice, ele iniciou seu show com o público bombando no segundo palco do Rock in Rio.

Lulu soltou hits antigos, que tocam até hoje nas rádios e programas de TV, como "Tempos Modernos" e "Toda Forma de Amor". A plateia sabia de cor e o povo acima dos 30 e tantos cantava alto.

Estreia de P!nk no evento carioca teve voo sobre plateia e pedido de casamento

O dia pop do Rock in Rio neste sábado (5) culminou na estreia da cantora P!nk no Brasil. Com um currículo de hits do tamanho do festival carioca, seu pop acrobático e energia infinita, a cantora americana fez uma apresentação de duas horas para justificar o alvoroço em torno de sua vinda, com uma versatilidade vocal, física e visual capaz de acertar até o coração mais peludo.

Pendurada em um lustre ou em aparatos circenses, a cantora fez acrobacias e cambalhotas mirabolantes --tudo sem parar de cantar.

No meio da apresentação, chamou um fã ao palco, que pediu o namorado em casamento. "Parabéns, os 20 primeiros anos [de matrimônio] são os piores!", brincou a cantora.

Em outro momento, um cover de "We Are the Champions", do Queen, teve como pano de fundo cenas de ativistas como a banda Pussy Riot e a jovem Greta Thunberg. P!nk encerrou a versão sacudindo uma bandeira LGBT enquanto a plateia xingava o presidente Jair Bolsonaro.

Depois de um show com citações sobre invisibilidade, amor próprio, depressão, feminismo, política, preconceito e mudança, só faltava a festa com a qual a cantora ficou conhecida.

Ela terminou com o mega-hit "So What", quando, presa a cabos, sobrevoou a plateia. Lá no alto, encerrou o penúltimo show da turnê feminina mais lucrativa da década.