Rock in Rio: relembre seis fatos históricos da primeira edição do festival

A estrela do rock Ozzy Osbourne teve que se comportar no festival (AP Photo)

O verão de 1985 ficou marcado para sempre pelo primeiro Rock in Rio da história, que colocou o Brasil na rota dos grandes festivais de música. Mas os shows foram apenas uma parte do encanto: muitas histórias, vividas nos palcos e fora deles, deram um aura mística ao Rock in Rio 1985. Confira algumas das melhores.

O piti de Freddie Mercury

Os instrumentistas do Queen nunca foram de chamar a atenção fora dos palcos - ao contrário de seu vocalista, Freddie Mercury. Antes de fazer um dos maiores shows de sua carreira, o frontman do Queen implicou com os artistas brasileiros que dividiam o mesmo corredor dos bastidores, virou o camarim de cabeça para baixo - com direito a mamão atirado no teto - entre outras estripulias. No palco, no entanto, fez história.

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O sino de meia tonelada

O AC/DC fechou contrato com a produção do primeiro Rock in Rio com uma condição: o sino de meia tonelada que acompanhava a turnê da banda teria que ser montado no palco da Cidade do Rock. O sino até veio - de navio - mas a estrutura do palco não o suportava. No típico “jeitinho brasileiro”, a produção construiu às pressas um sino idêntico ao original, só que feito de gesso - e o show correu normalmente.

As vaias aos brasileiros

Ansiosos por artistas internacionais - em 1985, eram raríssimas as atrações de apelo mundial no Brasil - o público escolheu os brasileiros como alvo de hostilidades. Ney Matogrosso reagiu atirando de volta objetos arremessados ao palco. Paula Toller, do Kid Abelha, mostrou o dedo médio para o público. Já Erasmo Carlos, usando um figurino de “Guerreiro do Metal” pra lá de duvidoso, assustou-se. Anos mais tarde, atribuiu à falta de segmentação da programação a razão dos incidentes.

Testemunhas de uma ressurreição

James Taylor voltou a se apresentar no palco do Rock in Rio em 2001 (AP Photo)

James Taylor chegou ao Rock in Rio à beira de encerrar a carreira: quebrado, divorciado da cantora Carly Simon, dependente de drogas e com a ideia de largar os palcos assim que que cumprisse o contrato de suas apresentações no festival. A reação do público, no entanto, mudou tudo: Taylor compôs ‘Only a Dream in Rio’ em homenagem a esse momento, incluiu a faixa no disco seguinte e recolocou a carreira nos trilhos.

Contrato de segurança

Completamente doidão - e alguns muitos quilos acima do peso - Ozzy Osbourne se apresentaria no Rock in Rio menos como ex-vocalista do lendário Black Sabbath na década anterior do que como o homem que arrancou a cabeça de um morcego com uma dentada anos antes. Por conta disso, teve que assinar um contrato assegurando que não mataria nenhum animal durante seu show - e ainda teve um fã que jogou uma galinha no palco.

Pro dia nascer feliz

O Barão Vermelho, ainda com Cazuza nos vocais, pegou o que certamente foi o maior bonde da história durante uma edição do Rock in Rio. Horas antes da apresentação da banda carioca, o Colégio Eleitoral apontou Tancredo Neves para a presidência do Brasil, encerrando duas décadas de militares ocupando o cargo mais importante do país. O discurso esperançoso e improvisado de Cazuza em meio aos versos de ‘Pro Dia Nascer Feliz’, canção que encerrou o show, marcou o festival.