Rock in Rio não é mais só de 'playboy', aponta jovem que curtiu Espaço Favela

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Grupo "Nossa Pele" se apresentou no "Espaço Favela" no dia 11 de setembro, último do Rock in Rio 2022 (Foto: Edda Ribeiro/ Yahoo)

O Espaço Favela, criado em 2019, trouxe cantores com nomes consagrados em 2022, como Thiaguinho, Ferrugem, Buchecha; trouxe "crias" das batalhas de rima, como Orochi e PK; garantiu roqueiros, como a Banda Drenna; os toques de Umbanda do Gangrena Gasosa; o funk de Poze do Rodo; e as performances do Funk Orquestra e do grupo Nossa Pele. Ao todo, a curadoria artística trouxe 24 personalidades, entre bandas, grupos de dança e DJs para vibrar na estrutura que 'imita' favelas cariocas, com pequenas casas verticais e coloridas.

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Grupo "Nossa Pele" se apresentou no "Espaço Favela" no dia 11 de setembro, último do Rock in Rio 2022 (Foto: Edda Ribeiro/ Yahoo)

O palco deste domingo (11), que encerra o Rock in Rio 2022, recebeu a cantora Lexa, entre outras artistas. Foi um dos motivos que trouxe os amigos Gabriel Lima, 25, Guilherme Sena, 26, e Lucas Xavier, 27, de São Gonçalo, município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, para o festival. "Acho que as outras edições tinham mais gente com cara de playboy; esse ano tem mais gente conhecida, de outros locais mais periféricos, amigos nossos também", disse Guilherme.

Ciente da pouca acessibilidade do preço do evento (um ingresso na venda extraordinária para um dia de shows custa R$ 625), além dos gastos com transporte e comes e bebes que passam de R$ 100 no local, a organização tentou garantir maior presença de público das comunidades, distribuindo 200 ingressos gratuitos para a Cidade do Rock.

"O line up do Espaço Favela e a diversidade musical é uma representação do que existe nas favelas. Não estamos inventando; a favela precisa ser revelada para o resto do Brasil e para o mundo", explica Pablo Ramoz, consultor artístico do espaço.

"Na seleção, pensamos em dar protagonismo para quem está começando, para quem nunca nem pisou num palco, ou que nunca tocou para um público grande. Mas ali não é um palco alternativo, é um palco de talentos, portanto colocar pessoas que já são famosas e tem origem favelada ou periférica é importante para que haja uma troca", completa o consultor.

Uma das atrações do último dia de evento foi o espetáculo do grupo "Nossa Pele", com dançarinos negros em performance com músicas que vão de Cerol na Mão, do grupo Bonde do Tigrão, que fez sucesso nos anos 2000, até o hit Na Rebolada, de autoria de DJ Zullu e Os Quebradeiras, que bomba no TikTok.