Rock in Rio: a edição que quase "derrubou" o Maracanã

Axl Rose trouxe polêmicas para a edição de 1991 (Photo by Ke.Mazur/WireImage)

Seis anos depois da primeira edição, o Rock in Rio voltou a aterrissar no Rio de Janeiro em janeiro de 1991, desta vez no Maracanã. Com os Guns n’ Roses reinando absoluto como a maior banda do mundo puxando uma lista que combinava veteranos como Judas Priest, Joe Cocker e Santana, estrelas como Prince e George Michael artistas pop em alta na época como Deee-Lite e New Kids on The Block. E outros em boa fase como A-Ha e INXS, e outros.

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O Maraca é nosso

A segunda edição do Rock in Rio foi a única que não aconteceu na Cidade do Rock. Em seu lugar, o Estádio do Maracanã, templo do futebol mundial. Em 9 dias de shows quase consecutivos, entre 18 e 27 de janeiro, houve boa música e muita chuva. Pelas próprias dimensões do local - ainda que fosse o maior estádio do mundo na época, nem se comparava à Cidade do Rock - foi a edição com menor público diário do festival.

O telefone voador de Axl Rose

Ser vocalista da maior banda de rock do mundo perturbou ainda mais cabeça já não tão boa de Axl Rose - e no Rock in Rio 1991 seu já famoso comportamento imprevisível subiu alguns tons. Entre diversas confusões em que ele se meteu, há o famoso episódio de fãs aglomerados ao redor do hotel, com alguns pedindo o número do telefone do cantor: que ele respondeu simplesmente atirando o aparelho sobre a multidão.

Expulso a vaias

Se alguém deu azar na montagem do line-up do Rock In Rio 1991 foi Lobão. Escalado para tocar depois do Sepultura - que quase derrubou o Maracanã - e antes do Megadeth, em uma noite que ainda teria Judas Priest e Guns n’ Roses, Lobão encarou uma plateia não muito interessada em seu rock oitentista. Ainda mais acompanhado de uma bateria de escola de samba. O resultado? Sonoras vaias que o fizeram abandonar do palco com pouco mais de 5 minutos de show, xingando o público ao melhor estilo Lobão.

Piano branco e 200 toalhas

Prince foi um tanto excêntrico (Foto por: Kevin Mazur/Getty Images)

Além de gênio, Prince também entrou para a história como um dos artistas mais excêntricos do mundo da música- e suas exigências para tocar no Rock in Rio II comprovam. Camarim iluminado por luzes roxas (‘Purple Rain’?), piano de cauda branco no hotel e 200 toalhas brancas - que segundo a organização da época precisaram ser compradas em motéis da vizinhança para dar conta do pedido de Prince.

A grande bizarrice

Os clipes de ‘Epic’ e ‘Falling to Pieces’ já faziam sucesso na então recém-lançada MTV Brasil, mas o Faith no More chegou ao Rock in Rio 1991 como desconhecido do grande público. Indicados por Axl Rose, Mike Patton & Cia receberam o menor cachê do festival (US$ 20 mil) e aproveitaram para entrar no mapa do rock mundial com sua fusão de rock, funk e bizarrices: o vocalista chegou a urinar no palco e beber o líquido durante o show.

Amor carioca

George Michael reclamou do barulho na piscina do hotel em que os artistas do Rock in Rio 1991 estavam hospedados e foi transferido para o Copacabana Palace. Mais tranquilo, passou a frequentar a piscina do tradicional local e conheceu estilista Anselmo Feleppa, que foi seu namorado até falecer dois anos depois. Feleppa foi homenageado na balada “Jesus to a Child”, lançada por George Michael em 1995.

Fim de uma era

O Rock in Rio 1991 foi um dos últimos megafestivais antes da última grande revolução do rock, o Nirvana. Naquele ano, a megalomania roqueira chegou ao seu ápice com o Guns n’ Roses lançando dois LP’s duplos (‘Use Your Illusion’ I e II) no mesmo dia, 17 de setembro. Exatamente uma semana depois, no dia 24, veio o contragolpe: ‘Nevermind’ chegou às lojas e o Nirvana logo desbancaria o Guns do posto de grande banda do rock mundial. O resto é história.