Roberto Carlos lamenta morte do 'grande irmão' Erasmo: "Minha dor é muito grande"

Roberto Carlos e Erasmo Carlos na festa de 50 anos de carreira do Roberto Carlos. (Foto: Rafael França/TV Globo)
Roberto Carlos e Erasmo Carlos na festa de 50 anos de carreira do Roberto Carlos. (Foto: Rafael França/TV Globo)

O cantor Roberto Carlos usou as redes sociais para se despedir do parceiro e grande amigo, Erasmo Carlos. O músico morreu nesta terça-feira (22) aos 81 anos após dias internado um em hospital no Rio de Janeiro com um quadro de paniculite complicada por sepse de origem cutânea.

O Rei, que colaborou com o famoso Tremendão em dezenas de canções, escreveu em seu perfil no Instagram: "Minha dor é muito grande, nem sei como dizer tudo o que eu penso desse meu amigo querido, meu grande irmão. Meu ídolo por tudo, pela sua lealdade, sua inteligência, sua bondade, por tudo o que eu conheço dele", escreveu Roberto.

"Um ser humano maravilhoso esse meu irmão. É um privilégio para mim ter um amigo, um irmão assim por todos esses anos. Difícil encontrar palavras para falar desse cara: o meu amigo Erasmo Carlos. Ele viverá sempre em meu coração. Que o nosso Deus de bondade o proteja e o abençoe sempre. Amém, amém, amém", completou.

O Tremendão deixa mais de 750 composições próprias e mais de 700 gravações cadastradas na gestão coletiva. De acordo com dados divulgados pelo Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), das 20 canções de Erasmo Carlos mais tocadas no Brasil nos últimos 10 anos, todas foram escritas em parceria com seu grande amigo, Roberto Carlos. Entre elas, estão "É Proibido Fumar", "Emoções", "Amigo", “Além do Horizonte”, “Como é Grande o Meu Amor por Você” e "É Preciso Saber Viver".

Vida e obra do Tremendão

Nascido no Rio de Janeiro, em 5 de junho de 1941, Erasmo Carlos deixa um legado de mais de cinco décadas de carreira. Inspirado principalmente por Elvis Presley, o cantor chegou a integrar a banda Renato e Seus Blue Caps na década de 1960 com versões brasileiras de músicas internacionais. Anos depois, elencou o trio formado por ele, Roberto Carlos e Wanderleia no icônico programa Jovem Guarda, onde nasceu o apelido Tremendão.

Wanderléia, Erasmo Carlos e Roberto Carlos na comemoração de 50 anos de carreira de Roberto na Globo (Rafael França/TV Globo)
Wanderléia, Erasmo Carlos e Roberto Carlos na comemoração de 50 anos de carreira de Roberto na Globo (Rafael França/TV Globo)

O projeto da Record TV encabeçou o movimento cultural a partir de 1965, marcado pela ascensão do rock e influências de grupos gringos como os Beatles. Essa irreverência ditou a música, o comportamento e a moda de gerações fascinadas pelos três cantores e apresentadores.

Com mais de 600 músicas gravadas em mais de 30 discos, Erasmo fica eternizado na voz de grandes sucessos como "Filho Único", "Mulher (Sexo Frágil)", "Gatinha Manhosa", "Festa de Arromba" e "Vem Quente Que Eu Estou Fervendo", que marcaram os longos anos de sua trajetória musical.

Em 2019, o artista ganhou uma cinebiografia estrelada por Chay Suede com a história de seus primeiros passos na estrada musical até virar um dos maiores símbolos do rock nacional. "Pô, bicho. Você me fotografou muito bonzinho. Eu era um pouco mais mauzinho", brincou Erasmo Carlos, como contou o diretor Lui Farias ao "UOL", quando viu o filme pela primeira vez.

Erasmo Carlos arrives at the Latin Grammy special merit awards at the Four Seasons Hotel, Tuesday, Nov. 13, 2018, in Las Vegas. (Photo by Eric Jamison/Invision/AP)
Erasmo Carlos na edição de 2018 do Grammy Latino, em Las Vegas (Foto: Eric Jamison/Invision/AP)

Seu último álbum foi lançado no início de 2022, intitulado "O Futuro Pertence À...jovem Guarda". O disco fechou sua carreira com chave de ouro ao trazer releituras de hits de artistas da Jovem Guarda e foi celebrado com um Grammy Latino.