Robert Plant, do Led Zeppelin, flerta com o country e lança o disco 'Raise the Roof'

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FOLHAPRESS - A improvável dupla formada pelo deus loiro do rock pesado, Robert Plant, ex-vocalista do Led Zeppelin, e a cantora americana de bluegrass e country Alison Krauss volta a render frutos. Eles lançam nesta sexta "Raise the Roof", seu segundo álbum colaborativo, seguindo a trilha já aberta pelo primeiro em 2007, "Raising Sand".

Com uma mistura de referências inglesas e americanas, recheado de folk, country e blues, o sucesso foi enorme. No Grammy de 2009, o trabalho venceu os dois principais prêmios -álbum do ano e gravação do ano, pela música "Please Read the Letter".

Abocanhou ainda três outras premiações menores -melhor vocal colaborativo pop com a canção "Rich Woman", melhor vocal colaborativo country com "Killing the Blues" e melhor álbum contemporâneo de folk/americana.

Lançado 14 anos depois, "Raise the Roof" foi gravado no mesmo local, Nashville, nos Estados Unidos, com o mesmo produtor, T Bone Burnett, e com a mesma receita. Canções delicadas, climáticas, com instrumentos predominantemente acústicos e vocais que se completam, apesar do aparente oceano de distância entre a coleção de discos que cada um tem em casa.

"Não acho que trabalhamos com gêneros diferentes", diz Plant, em entrevista a este repórter. "Acho que são apenas canções. Você pode perguntar isso dessa forma, mas no fim das contas não é sobre gêneros porque isso saiu de dentro de nós. Seja qual for o termo para o que fazemos, estamos apenas pondo nossos olhares e transformando as canções para o jeito que gostamos, não importa de onde elas vêm."

"A música inglesa sempre influenciou a americana e vice-versa, e continua sendo assim", arremata Krauss, presente na mesma conferência telefônica realizada a distância. "Aqui estamos juntos em Nashville, finalmente juntos de novo."

O country de salão está presente em "Can't Let Go", por exemplo, enquanto um folk mais contemplativo dá as caras em "Don't Bother Me". A única canção inédita é "High and Lonesome", uma colaboração assinada por Plant e pelo produtor Burnett.

"T Bone é como um coringa no baralho", conta Plant. "Você nunca sabe o que ele vai fazer, mas é muito inspirador. E funcionamos muito bem. Eu tenho muitas letras estranhas, tenho milhares de letras... Você quer algumas? Tantas sobre erros, enganos, imaginações. Na verdade, eu deveria ir ao médico. Mas as coisas são como são..."

"Enfim, foi fácil, nada complicado de se fazer. Se tivéssemos mais tempo, poderíamos fazer muito mais. Mas eu tinha um problema com o tempo, em voltar para Londres. A quarentena estava logo ali."

Ele se refere ao fato de o disco ter sido gravado em dezembro de 2019 e fevereiro de 2020 e, então, interrompido pela pandemia. Peço detalhes sobre essas sessões e Plant solta uma risada meio maníaca.

"Foram cinco semanas no total?", ele se pergunta. "Seis? Quatro? Você sabe? Nós não sabemos! Nós não sabemos! Nós estamos como os Ramones [cantarola]: 'We don't know! We don't know! We don't know!'"

Robert Plant se desculpa e diz estar cansado por estar enfrentando uma bateria de jornalistas naquele dia --a entrevista aconteceu no início de setembro. Mas eu agradeço a citação à grande banda punk e pergunto se ele já pensou em efetivamente cantar algo dos Ramones.

"Sim, é algo que faço para praticar sozinho no chuveiro, aquele sentimento dos Ramones." Que música, quero saber. Plant pensa alguns segundos. "Ah, na verdade, é 'Ace of Spades', do Motorhead." Certo, bom também.

Alison Krauss recoloca a conversa nos trilhos. "Enfim, o disco não estava terminado após aquelas sessões. Terminamos de gravar o básico, mas ainda havia overdubs [instrumentos ou vozes adicionados depois, como um solo] a serem feitos. Robert fez em Londres e eu aqui, e depois mixamos durante a quarentena."

"São coisas que teríamos feito se eu pudesse ter ficado por aqui, mas infelizmente tive que voltar para a Inglaterra porque estava chegando aquela hora em que as pessoas começavam a ficar preocupadas", diz Plant.

Questiono se o fato de trabalharem novamente em Nashville com Burnett faz parte de uma tentativa deliberada de ganhar mais cinco prêmios Grammy. Plant ri e responde que "se você pensar, os Beatles trabalharam com George Martin o tempo todo, até que se tornaram uma espécie de família meio doida. Entre nós, havia uma interação, e buscávamos certos tipos de contribuição, como entusiasmo, empatia, alegria."

Apesar das semelhanças, os artistas não veem "Raise the Roff" como uma reles continuação de "Raising Sand".

"Sabe, eu acho que é muito tempo [14 anos] para dizermos que é uma continuação daquele álbum, ou um retorno da dupla", fala Plant. "Nenhuma dessas terminologias terríveis se encaixa. Nós apenas encontramos tempo para apostar e ver se tínhamos ainda algum tipo de fogo para esse trabalho. Obviamente são outros tempos, mas música é infinita e há tantos pedaços de música que ainda estão para nascer", filosofa.

Krauss é mais assertiva: "Não diria que é uma sequência porque são tantos anos entre as duas gravações e não queríamos fazer uma repetição do primeiro álbum. Quisemos que o segundo disco tivesse sua própria identidade. Mas não era como se estivéssemos começando do zero pela primeira vez, e sim recomeçando com alguém que já conhecemos."

Uma turnê pelos Estados Unidos e pela Inglaterra está sendo planejada. É possível que ela chegue ao Brasil?

"Eu acho que nos divertiríamos muito aí", opina Plant. "Não poderíamos fazer os grandes festivais. Teríamos que tocar em lugares adequados a esse tipo de música, o que seria fantástico, porque 'a galera' [diz em português] é muito forte aí no Brasil. Mas antes nós temos que sair desse período, temos que tentar reduzir a quantidade de doença potencial. Então não podemos sair circulando. Temos que aguardar."

E se isso acontecer, os fãs de Led Zeppelin provavelmente não sairão de ouvidos abanando. Na turnê de "Raising Sand", a dupla cantou clássicos da banda. "Sim, se Alison quiser fazer, eu farei", garante Plant. "Ela faz um ótimo trabalho."

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