Rihanna, em 'Lift Me Up', rompe hiato e prova por que faz falta ao pop

***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ - Show da cantora americana Rihanna durante o festival Rock in Rio. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ - Show da cantora americana Rihanna durante o festival Rock in Rio. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Rihanna está de volta. Depois de passar mais de seis anos ocupada lançando maquiagens e roupas de luxo, ela finalmente retomou seu lado cantora e lançou na madrugada desta sexta-feira "Lift Me Up", canção que encabeça a trilha sonora do filme "Pantera Negra: Wakanda Para Sempre", que estreia no dia 10 de novembro.

Os fãs dela passaram os últimos anos fadados a ouvir seus hits antigos enquanto enchiam as redes sociais com memes sobre a pausa que parecia não ter fim. Rihanna, que foi alçada a diva pop no fim dos anos 2000, nunca passou tanto tempo longe dos microfones. Suas últimas inéditas foram lançadas em 2016.

"Lift Me Up" é prova do porquê ela faz falta à música pop. É uma balada levada só no piano e no gogó, que dá valor à voz de Rihanna ao botá-la bem à frente do instrumental. A frase que abre a canção é o suficiente para ressoar um talento que passou seis anos escondido.

É uma letra simples e repetitiva. Rihanna pede que alguém a levante, a segure com firmeza, e a mantenha sã e salva. Fora do contexto do novo "Pantera Negra", soa como uma música romântica qualquer, mas quando toca nos créditos do filme, ganha uma carga emocional extra.

O longa presta homenagem ao ator Chadwick Boseman, ex-intérprete do Pantera Negra, morto em setembro de 2020 por causa de um câncer de cólon. "Lift Me Up" não fala especificamente sobre isso, mas pode ser interpretada como um tributo ao ator.

Sem dar spoilers da trama, "Wakanda Para Sempre" tenta arrancar lágrimas nas cenas finais ao reverenciar Boseman -especialmente na que aparece no meio dos créditos, que são embalados por "Lift Me Up".

Rihanna não supera "All The Stars", ótima parceria entre o pop alternativo de SZA e o rap potente de Kendrick Lamar, o carro-chefe da trilha do primeiro "Pantera Negra", de 2018.

Mas, na altura a que chegou, Rihanna parece pouco se importar com sucesso comercial. Tanto é que "Lift Me Up" não tem nada de dançante, como Beyoncé fez em "Break My Soul", nem do pop chiclete de Lady Gaga em "Rain On Me". Também não carrega traço nenhum da "tiktokização" que vem ditando as regras da música nos últimos anos, a não ser sua curta duração.

Pouco se sabe, aliás, sobre os próximos passos de Rihanna. Ela será a atração principal do show do intervalo do Super Bowl no ano que vem, evento que costuma sediar performances grandiosas. É a primeira vez que ela se apresenta por lá.

Rihanna continua fazendo mistério sobre novas músicas e um disco de inéditas. Disse numa entrevista em 2019 que faria um álbum focado no reggae, estilo que ela pouco explorou durante a carreira.

Seja como for, "Lift Me Up" é poderosa, mesmo que contida. Cumpre a missão de matar a saudade de quem gosta do som dela e pode ajudar os fãs a esperarem mais alguns meses ou, quem sabe, outros bons anos.