Revolução justifica limites à liberdade de expressão em Cuba, diz presidente

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(Arquivo) Manifestantes em frente ao ministério da Cultura de Cuba, em novembro de 2020

A liberdade de expressão em Cuba, exigida por jovens artistas nos últimos meses, está limitada pela própria existência da revolução - afirmou o presidente Miguel Díaz-Canel em um discurso publicado nesta terça-feira (29).

"A liberdade de expressão na Revolução continua tendo como limite o direito da Revolução de existir", disse Díaz-Canel, também primeiro-secretário do Partido Comunista (PCC, único), em uma reunião na segunda-feira à noite com um grupo de intelectuais e artistas.

"Não vamos abrir mão da Revolução nem de seus espaços. Devemos e podemos administrá-los melhor, aprendendo mais com tudo e todos", afirmou em um ato comemorativo do 60° aniversário do discurso "Palavras aos Intelectuais", no qual o líder Fidel Castro definiu em 1961 a política cultural de sua incipiente revolução socialista.

Naquela ocasião, Castro afirmou: "dentro da Revolução tudo, fora da Revolução nada", palavras que tiveram várias interpretações durante essas seis décadas, e que o governo de Díaz-Canel reconhece como válidas.

"'Dentro da Revolução tudo' significa que a única coisa que não está em discussão é a Revolução. Ela não é um fato em disputa. É o fato em si, a razão de ser daquele encontro", disse.

No entanto, "acreditamos firmemente que a obra de arte possui não apenas o direito, mas a missão de ser provocativa, arriscada, desafiadora, questionadora, também enaltecedora e emancipadora", acrescentou. "Submetê-la à censura subjetiva e covarde é um ato contra a cultura".

"Na Cuba de 2021, não há lugar para os anexionistas de sempre, ou para os mercenários do momento", afirmou Díaz-Canel.

Em 27 de novembro do ano passado, 300 jovens intelectuais e artistas protagonizaram um protesto inédito em frente ao Ministério da Cultura cubano, exigindo liberdade de expressão. Funcionários do ministério receberam um grupo de manifestantes e decidiram iniciar um diálogo.

"Naquele momento, falamos sobre diálogo e finalmente começou, mas não gerou os resultados que podia. Perdemos uma oportunidade excelente para abrir espaços de debate e reflexão de que qualquer sociedade tanto precisa e que na cubana são fundamentais", opinou em uma recente entrevista o novelista Leonardo Padura.

"Isso que ocorreu em 27 de novembro é a demonstração de uma necessidade que existia e existe. As manipulações, leituras diferentes, posições talvez fundamentalistas de uma parte ou de outra, nada disso diminui o fato de que é uma reclamação válida", destacou.

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