Restaurada a cripta do Coliseu, antecâmara da morte para leões e gladiadores

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O rugido das feras enjauladas, o odor fétido dos gladiadores, o clamor ensurdecedor da multidão: o Coliseu de Roma é hoje o vestígio dos jogos romanos, cujo espetáculo era a morte.

O mais famoso anfiteatro da antiguidade, classificado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco e que todos os anos é visitado por sete milhões de turistas, revela a extraordinária engenharia posta a serviço dessas sangrentas atividades.

No final de uma longa obra de restauração, o hipogeu ou cripta foi aberto ao público nesta sexta-feira (25) e constitui uma nova atração para os turistas que poderão descobrir, entre remanescentes e um aplicativos, um dos corredores mais terríveis daquele circo do qual poucos homens e animais saíram vivos.

“Era escuro, cheirava mal. As condições eram péssimas para os escravos e os animais”, conta a guia Cristina.

Uma vez coberto por um piso de madeira, o labirinto de corredores e câmaras escuras serviu como bastidor do anfiteatro Flaviano, uma prisão para homens e feras que enfrentavam seu destino na arena.

“Você tem que imaginar que eles saíram de repente do escuro e que o barulho na arena era enorme ...”, enfatiza.

- 'Um monumento no monumento' -

Patrocinado pela fabricante italiana de calçados de luxo Tod's, a restauração do hipogeu, que se estende por meio hectare, começou em 2018, empregando 81 arqueólogos, engenheiros e especialistas, que limparam e reforçaram as paredes de tijolo e pedra.

“Podemos finalmente devolver ao público este monumento no monumento”, disse a diretora do Coliseu, Alfonsina Russo, durante coletiva de imprensa.

O Coliseu e a cripta foram concluídos em 80 DC. sob o imperador Domiciano. Após seu último espetáculo em 523 d.C., o hipogeu foi gradualmente coberto por escombros até ser desenterrado no século XIX.

O labirinto de corredores e cômodos fazia parte do coração da mecânica dos jogos, com suas lutas entre gladiadores, caças de feras africanas selvagens ou execuções públicas.

Um imponente túnel conduzia a um campo de treinamento de gladiadores, que incluía um hospital e um necrotério.

Os animais também eram apresentados ao anfiteatro através do túnel antes de serem enjaulados.

Ainda é possível ver no chão de tijolos dos 15 túneis da cripta os buracos cavados nos blocos de travertino e bronze que eram usados para içar gaiolas, decorações ou plataformas com gladiadores. Oito escravos eram necessários para isso.

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