Renata Fan relembra desconfianças após vencer Miss Brasil e diz que não vê demérito no título

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 04.07.2013: Renata Fan, da Ban, durante evento da Samsung realizado no Leopolldo Itaim, em São Paulo. (Foto: Fábio Guinalz/Fotoarena/Folhapress) ORG XMIT: AGEN1307051158460929

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com uma carreira consolidada no mundo do esporte, nem todo mundo se lembra que a apresentadora Renata Fan, 42, foi Miss Brasil. Eleita há 20 anos, em 1999, a gaúcha de Santo Angelo é uma das coroadas brasileiras de maior destaque hoje na TV, no qual comanda o programa Jogo Aberto, na Band.

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"Eu era uma menina de 21 anos com outras aspirações, tantos sonhos e objetivos ainda para alcançar. Hoje eu me sinto uma pessoa mais consolidada, não só profissionalmente mas também como mulher e cidadã", diz Fan à reportagem.

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A experiência de participar de concursos a ajudou na sua construção de pessoa, afirma ela. "Sou miss e esse é um título que eu carrego com orgulho. O miss foi, talvez, a grande primeira passagem decisiva na minha vida. Não sabia exatamente qual estrada estava percorrendo, mas hoje, eu sei que foram 20 anos de construção, de vivências que me beneficiaram como pessoa e como ser humano", reflete.

Sobre sua carreira, Renata Fan diz acreditar que o título gerou um certo desconforto em sua transição para o mundo esportivo, mas não preconceito. "Preconceito é uma palavra que sempre cuido muito bem para utilizar. Acredito que, por ser miss, passei por uma desconfiança."

Mesmo botando panos quentes, ela rebate a questão considerando que batalhou muito para chegar aonde está. "Por que uma miss não pode ser uma pessoa representativa? Tenho duas faculdades, trabalho todos os feriados entre segundas e sextas-feiras, estou no mesmo programa esportivo há quase 13 anos. Por que que eu teria algum demérito por ser miss? Isso é um absurdo!" 

"Eu trabalho num mundo hoje em que eu não me sinto nem mais nem menos que os homens, eu me sinto igual. Competência não tem nada a ver com sexo masculino ou feminino. É algo que você constrói e desenvolve. A mulher pode ser o que ela quiser, então a miss pode, sim, ser feminista e tem que defender as conquistas do universo feminino. As pessoas se apegam muito a alguns conceitos e todo mundo quer discutir, opinar e ser do contra, e não é assim."

SELETIVAS E MISS UNIVERSO

Além do Miss Universo, uma das etapas que mais marcaram sua fase de miss foi a estadual. "Quando cheguei a seletiva do Miss Rio Grande do Sul fiquei impressionada, pois havia mais ou menos 90 candidatas. Era uma loucura, foi fora do comum. Fiquei assustada, mas quis lutar pela faixa da minha cidade. No meu discurso, só parei de falar quando todos levantaram e aplaudiram. Foi emblemático."

No internacional, realizado no país caribenho de Trinidad e Tobago, Renata Fan ficou em 12º lugar, entre as mais de cem candidatas. Na disputa, ela se recorda ter sentido mais a pressão e dificuldade, justamente, em um de seus pontos fortes: a comunicação. Mas que esse obstáculo a preparou para a vida.

"Voltei e fui estudar idiomas, saber das coisas que acontecem no meu país, me inteirar da realidade política, econômica, social, sobre assuntos estratégicos e globais. Eu me limitei um pouco naquela época, mas voltei motivada, a fim de fazer algo legal aqui e batalhar pela minha carreira. Eu queria ser uma pessoa que daria uma entrevista no rádio ou na TV, para um jornal ou um colunista da Folha, e poderia me sobressair e falar coisas que realmente teriam eco e respeito das pessoas."

"Se eu fosse muito depois para o Miss Universo, tenho certeza de que seria mais bem-sucedida. Não em termos de colocação, mas sim de confiança, com mais experiência, podendo me comunicar mais, interagir, trocar experiências, saber coisas de outros países", diz.

NOVO PERFIL DA MISS

A apresentadora acredita que hoje os certames mudaram e estão se adaptando a um novo perfil. Mesmo assim, estão longe de acabar. "Se tem mídia, audiência e interesse, tem espaço. Vai passar por mudanças e reciclagens mas, na minha opinião, a estética sempre vai ser uma coisa que as pessoas admiram e idolatram, mesmo que não se manifestem assim ou reconheçam isso. A estética é uma coisa importante na nossa sociedade capitalista, querendo ou não."

Renata Fan considera que "as pessoas não têm noção do quanto que é difícil ganhar uma coroa de Miss Universo. Não entendem o que isso significa, a repercussão que tem, a simbologia que o concurso carrega".

Sobre o fim do Miss Brasil, anunciado em julho, após o rompimento da parceria entre a Band e a Polishop, Renata Fan se diz triste, mas afirma que tem esperança de retorno. "Imagino que outra televisão vai fazer esse papel, ter esse interesse. Em 1999, o concurso não foi televisionado e não teve a mesma projeção, divulgação e interesse. Espero que não seja uma decisão que perdure e tomara que alguém reverta esse processo."

ENTREVISTA PARA A FOLHA 

Entre os vários desafios que Renata Fan destaca em sua carreira está a entrevista que deu à Folha de S.Paulo após ter sido contratada pela Band. Segundo ela, a entrevista acabou virando um quiz de esportes, no qual ela errou apenas uma, "sobre um jogador de quando eu não era nem nascida". 

Para a artista, o momento a fez se sentir "colocada contra a parede". "Eu me pergunto se esse teste foi um preconceito? Por que não fizeram isso com o Milton Neves, Datena, Galvão e tantos outros que se destacaram? Por que comigo? Foi porque eu era uma miss. As pessoas desconfiavam de uma miss coordenando uma mesa redonda sobre futebol. Eu entendo isso hoje mas, na época, me senti constrangida."

"São provações que a gente passa e você tem que demonstrar que é capaz", continua ela. "As pessoas querem saber se você é uma profissional competente ou não, querem botar a miss à prova o tempo todo, mas isso é bom. A gente se mantém sempre em alerta e ligada em tudo o que acontece, aprendendo com erros e acertos. Tudo é válido, mas a gente demora para entender isso, e talvez eu tenha demorado 20 anos", finaliza.