Relacionamento aberto: os prós e contras sob a visão de quem deseja ser livre

Foto: Getty Images
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Por Milena Carvalho

Não tão bem visto por uns, mas natural para outros, o relacionamento aberto não é algo inédito. A ideia de se relacionar com alguém de maneira estável, mas também ter outras relações extraconjugais que não são consideradas como traição existe já há bastante tempo – especialistas analisam que na França, no século passado, já se falava sobre o “fenômeno”. Contudo, aqui no Brasil, conservadores ainda acreditam que esse tipo de relacionamento não dá certo. Mas será mesmo?

“De uma forma geral, se relacionar não é uma coisa fácil, seja monogamicamente ou não. Nos conhecemos e nos descobrimos mais”, avalia a psicóloga Cristina Santana. Segundo ela, a relação aberta pode acontecer em qualquer fase da vida, seja um namoro, um noivado ou até mesmo durante o casamento.

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Para que funcione para ambos os envolvidos, é necessário ter segurança de si e conhecer seus medos. “Precisa ver se é algo que os dois querem ou se um só aceita porque não quer perder o outro.” Cristina diz que já recebeu em seu consultório casais de idades diferentes, mas que, normalmente, o público está na faixa etária entre 18 e 35 anos. “Eles procuram sair da rotina, conhecer novas pessoas e querer ter uma liberdade. Mas também precisam ser maduras emocionalmente”, alerta a profissional.

Sem exclusividade

Luisa*, de 24 anos, e Rafael*, de 27, namoram há quase 3 meses, mas já se conhecem há mais de 1 ano. Após uma ficada ou outra durante esse tempo, em meados do Carnaval de 2018 o ‘lance’ começou a ficar sério. Até que, em julho, decidiram se comprometer como namorados – em um relacionamento aberto. Não é a primeira experiência dos dois em uma relação como esta.

“Desde mais nova não entendo porque outras pessoas, mesmo juntas, não podiam ficar com outras”, afirma a empreendedora. De acordo com ela, a proibição de se relacionar com outro alguém que não seja Rafael* é pior, e acredita que esse tipo de relacionamento é o que se encaixa no “jeitinho” dos dois.

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Apesar do namoro aberto, o casal se vê como prioridade. “A questão é estar com o outro por vontade. Ele não está comigo porque assinou um contrato, mas sim porque escolheu isso”, diz Luisa*. Ambos dizem se respeitar bastante e tomam cuidado para não fazer algo que vá magoar o outro. “Por exemplo, eu não gosto de ficar sabendo com quem ela fica. Quanto mais discreto para mim é melhor”, conta Rafael*.

Para o rapaz, é uma relação que tem seus prós e contras como qualquer outra e que há escolhas a se fazer. Dependendo das pessoas, do momento em que elas estão vivendo e o que estão dispostas a abrir mão, tem tudo para dar certo, mesmo que a sociedade acredite o contrário. “Isso deveria ser visto de forma mais natural. É importante por um lado para que haja desmistificação, mas por outro acaba criando um alarde desnecessário, sendo que não é nada demais.”

Exercício diário de paciência e compreensão

Mesmo para aqueles que estão em um relacionamento aberto já há mais tempo, a tarefa não é fácil. É preciso driblar o ciúme e se colocar no lugar do outro. Beatriz*, fotógrafa de 24 anos, namora William*, de 29, há mais de 4 anos e diz que, somente agora, crê que a relação está chegando em uma estabilidade.

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“Você lida com insegurança, expectativa. Não é um processo fácil. A gente se propõe a exercitar diariamente”, desabafa a jovem. Bissexual, ela diz que não ficar com outros seria “se privar de algo que tem vontade”. “Meu interesse nas pessoas é bem múltiplo.”

O casal passou por diversas configurações durante a relação – sobre o que podia ou não fazer – e classificam o relacionamento como livre. “Desconstruir a questão de posse, aliviar cobranças e não exigir lealdade foi um processo bonito de se ver. Vale a pena todo o esforço”, garante Beatriz*.

*A pedido das fontes, os nomes mencionados na reportagem são fictícios

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