Rei Charles III quebra protocolo real de 260 anos e surpreende súditos

DUNFERMLINE, SCOTLAND - OCTOBER 03: King Charles III hosts a reception to celebrate British South Asian communities, in the Great Gallery at the Palace of Holyroodhouse on October 3, 2022 in Dunfermline, Scotland. Between 200 - 300 guests of British Indian, Pakistani, Bangladesh, Sri Lankan, Nepalese, Bhutanese and Maldivian heritage from across the UK attended the reception. (Photo by Kirsty O'Connor - Pool/Getty Images)
Rei Charles III vai quebrar protocolo real para sua coroação em 2023 (Photo by Kirsty O'Connor - Pool/Getty Images)

Resumo da Notícia:

  • Rei Charles III será coroado apenas oito meses após a morte da mãe

  • O tempo de luto oficial da realeza é o menor em 260 anos de corte

  • O mornarca já quebrou alguns protocolos em seu mês de reinado

Desde a morte da rainha Elizabeth II, em setembro de 2022, o rei Charles III tem quebrado alguns dos protocolos mais sólidos da monarquia do Reino Unido, que dura mais de 315 anos. A nova regra foi anunciada nesta terça-feira (11) pelo Palácio de Buckingham.

Segundo informações oficias do órgão que responde pelo reinado, Charles III será coroado na Abadia de Westminister no dia 6 de maio de 2023. A data é apenas oito meses após a morte de sua mãe, a rainha mais longeva do Reino Unido. Elizbeth II foi coroada rainha após 1 ano e 4 meses da morte de seu pai, George IV.

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Pelos últimos 262 anos, o período de luto oficial da realeza dura, pelo menos, um ano. É o que diz o protocolo oficial que rege toda a estrutura da realeza. Durante este período todas as correspondências são com bordas pretas, em sinal oficial de luto, por exemplo.

O tempo também é usado para o novo rei ganhar a simpatia dos súditos e o governo conseguir trocar todos os documentos, moeda, selos e mais para a imagem e nome do novo monarca. As primeiras moedas, selos e a insígnia de sua realeza já foram apresentadas ao público. O parlamento pediu que o tradicional feriado bancário do dia 1º de maio seja transferido para o dia 8 para que os britânicos tenham um fim de semana prolongado para as comemorações.

The official coin effigy of King Charles III on a £5 Crown and 50 pence commemorating the life and legacy of Queen Elizabeth II, during an announcement regarding the designs for the new coins and notes depicting King Charles III at the Worshipful Company Of Cutlers, at Cutlers' Hall, London. Picture date: Thursday September 29, 2022. (Photo by Aaron Chown/PA Images via Getty Images)
Moeda e 5 líbras com o rosto do rei Charles III já é emitida pelo Reino Unido (Photo by Aaron Chown/PA Images via Getty Images)

Segundo Buckingham, a cerimônia não ultrapassará uma hora e será meramente protocolar para marcar a data. Aos 73 anos, ele será coroado ao lado da rainha-consorte, Camila, por líderes da igreja e do povo. Normalmente, a cerimônia dura algumas horas por ser cheia de rituais como uma procissão, missa, e a cerimônia de coroação em si.

A data escolhida também é o aniversário do neto de Charles, Archie. O filho do príncipe Harry e de Meghan Markle completará quatro anos e já é esperado que o rei dê o ar da graça para soprar velinhas com ele. Um dos últimos compromissos oficiais de Elizabeth II foi o aniversário de Lilibeth, a caçula do casal.

Harry, Meghan, Archie e Lilibet em cartão de Natal
Harry, Meghan, Archie e Lilibet em cartão de Natal

Quebras de protocolos

Desde sua ascensão, no instante seguinte à morte de sua mãe, Charles tem se esforçado para modernizar a monarquia como pode. Ele limitou o acesso de membros da realeza ao leito de morte da monarca, ajudou a fazer o arranjo de flores que repousava sobre o caixão de Elizabeth II, e sorriu a súditos durante o velório.

Na primeira imagem oficial como monarca, Charles não apareceu sozinho, como soberano. Ele estava de braço dado com a rainha consorte. Até então, historicamente, o contato físico com afeto não cabe a quem carrega a coroa. A distância sempre representou a solidão do cargo de liderança.

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Ao lado do rei e da rainha, os novos príncipes e princesa de Gales, William e Kate, também se tocam. A presença deles na imagem simbolizou a estudiosos a transição que representará o reinado de Charles. O filho mais velho, que é o primeiro na linha de sucessão, já começou a cumprir uma agenda de eventos no país de Gales antes de sua coroação ao cargo que foi do pai por mais de 50 anos. Até lá, é esperado que ele se conecte mais com o povo galês.

Como é a cerimônia histórica

O último evento do tipo aconteceu em 1953, para coroar Elizabeth II, e foi luxuoso. Composta em seis atos, a cerimônia foi um evento que movimentou a capital da Inglaterra por dias.

Mais de 8.251 convidados de 129 países compareceram, o que mobilizou um grande esquema de segurança por conta dos chefes de estado. Também foram credenciados nada menos que 2.500 jornalistas e fotógrafos de cerca de 92 países.

O regente será levado do Castelo de Buckingham à Abadia de Westminister por uma carruagem folhada a ouro. Lá ele se ajoelhará e fará uma oração antes de sentar no trono do Estado. Sua Majestade é ladeada pelo King of Arms Garter, o principal conselheiro do monarca; o arcebispo de Cantuária, o Lord Chancellor, o Lord Great Chamberlain, o Lord High Constable e o Earl Marshal. Eles representam o povo.

Então, o Arcebispo inicia o Reconhecimento. “Senhores, eu apresento à vos Charles (ou o nome que ele escolher), o seu rei inquestionável. Portanto todos vocês estão vindo aqui hoje para fazer a sua homenagem e vassalaria, todos estão dispostos a fazer o mesmo?”, com a resposta positiva, se passa ao juramento.

O líder da igreja começa a proclamar o juramento em que o rei se compromete a governar cada território respeitando seus costumes, usar seu posto com justiça e misericórdia e comandar a igreja protestante perante à lei divina e dos homens. O texto é usado há séculos.

Em seguida, seu 'reinado' é ungido - este é o momento mais solene de toda a cerimônia. Sentado em um trono que estará de frente para o altar da Abadia, quatro cavaleiros são encarregados de cobri-lo com algo parecido com um toldo enquanto o arcebispo o unge nas mãos, peito e cabeça. Ele é coberto porque este momento não deve ser assistido pelos súditos por simbolizar sua ligação com Deus.

Depois de ungido, o Rei passará para Investidura. Ele receberá um manto dourado e as joias da coroa: esporas, espada, braceletes, uma orbe e um anel na mão direita. Ele colocará as peças no altar e então receberá o cetro e uma cruz, que deve ser segurada com a mão direita.

Logo em seguida, o arcebispo colocará em sua cabeça a coroa St. Edward’s, que só é usada em coroações e velórios e representa a monarquia como instituição. A peça é composta por dois quilos de ouro maciço e diamantes. Neste momento, os presentes o saudarão com um ‘Deus Salve o Rei’. Em seguida ele ocupará o trono real enquanto a corte se posiciona ao seu lado.

De pronto, começam as homenagens, que é a última parte da cerimônia. O primeiro a falar será o líder da igreja, que iniciará uma sequência de beija mãos dos que prometem honrar e respeitar o monarca. Ao fim, ele vai a uma parte reservada da capela para trocar a capa dourada por uma roxa e a coroa por uma mais leve, a do Estado Imperial. Esta é a que costumamos ver Elizabeth II usando.

Na sequência, ele deixa a Abadia em direção ao Palácio de Buckingham segurando o cetro e o orbe ao som do hino nacional. É nesse momento que ele é oficialmente apresentado aos súditos como Rei e o rito se encerra.