Regina Duarte diz não querer arrastar 'cordéis de caixões' e que Covid-19 traz morbidez insuportável

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A secretária especial da Cultura minimizou críticas quanto a elogios de Bolsonaro à ditadura militar em entrevista à CNN Brasil.

"Houve tortura. Stalin, quantas mortes? Hitler, quantas mortes? Não quero arrastar um cemitério de morte nas minhas costas. Sou leve, estou viva! Vamos ficar vivos! Para que olhar para trás?"

"Tem que olhar para a frente, tem que amar o país. Ficar cobrando coisas que aconteceram nos anos 1960, 1970, 1980? Gente, vamos para frente." E completou cantando “Pra Frente Brasil”.

A secretária ainda disse que a Covid-19 está "trazendo uma morbidez insuportável". "Isso é perigoso para a cabeça das pessoas."

A secretária negou que esteja sofrendo um processo de fritura dentro do governo. "As pessoas têm certa ansiedade em me ver fora", disse.

Ela começou a entrevista fazendo um elogio a Caio Coppolla, comentarista da CNN, que, segundo a atriz, "fez um poema lindo, que fala de heroísmo, entrega à pátria, me retratava muito bem".

Regina disse que leu dois livros de Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo, mas que parou no terceiro devido à grande quantidade de palavrões. "Não perdi nenhum respeito por ele em nenhum momento."

A secretária negou ainda que a revogação da nomeação de Dante Mantovani tenha sido um pedido dela própria. Mantovani foi demitido cargo, em março, após ter associado o rock ao aborto, ao satanismo e às drogas em um vídeo.

"Eu não nomeio, eu não exonero. Isso tudo vem da Cidadania e, depois, com o decreto, só com o Turismo."

A atriz falou ainda sobre não ter se manifestado publicamente quanto a recentes mortes de grandes nomes da cultura brasileira como Moraes Moreira, Rubem Fonseca e Aldir Blanc, o que gerou críticas da classe artística. Sobre isso, disse que optou por enviar mensagens particulares às famílias. ​

A jornalista Daniela Lima chegou a pedir que a secretária se posicionasse quanto às mortes dos artistas, mas Regina não prestou homenagens.

Nesta quarta (6), Regina esteve em reunião com Bolsonaro, com a presença de Sérgio Camargo, seu desafeto e presidente da Fundação Palmares, que publicou críticas à atriz em suas redes sociais. "Eu nem sei mais se ele é um antagonista meu", disse.

A atriz disse que a reunião foi leve e não houve conversas sobre demissão. Sobre Camargo, Regina disse que a Palmares está "debaixo do guarda-chuva do Turismo".

"Deixa o Sérgio Camargo fazer o trabalho dele e eu não tenho nada com isso, nao vai cair o meu CPF", disse a atriz, aos risos.

Sobre a demissão da pastora evagélica Jane Silva, que integrava a secretaria e foi exonerada em fevereiro, Regina afirmou que a demissão se deu por problemas burocráticos. "Jane tinha inscrição a um partido e isso travou", disse.

Durante a entrevista, foi exibido um vídeo de Maitê Proença. "Regina, eu apoiei desde o início uma opinião que divergia da maioria dos seus. Estou aqui clamando para que se apresentem os feitos. Fale com sua classe!", provocava a atriz.

Regina entendeu que se tratava de um vídeo antigo, retirou o fone de ouvido e se recusou a ouvir. “Telespectadores, desculpe o chilique”, disse Regina, antes de que pudesse ouvir o vídeo. “Tá desenterrando o vídeo da Maitê para quê? Ela tem o meu telefone, ela fala comigo.”

"Eu tinha tanta coisa bacana para falar. Vocês estão desenterrando mortos", disse a atriz. Logo em seguida, a entrevista foi encerrada.