Bolsonaro fingiu que não fritou Regina Duarte. E ela, boa atriz, fingiu que acreditou

A atriz e ex-secretária da Cultura Regina Duarte. Foto: Adriano Machado/Reuters

Foi um final forçado como os de novela ruim.

Na cena derradeira, gravada em frente ao Palácio do Alvorada, a personagem de Regina Duarte pergunta ao presidente Jair Bolsonaro se ela estava sendo fritada no posto de secretária especial da Cultura.

“Eu tô lendo isso numa imprensa em que eu não acredito mais, mas de qualquer forma queria que ele me dissesse pessoalmente: tá me fritando, presidente?".

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Numa fala ensaiada, o par romântico responde: “toda semana, tem um ou dois ministros que, segundo a mídia, estão sendo fritados”.

O objetivo dessas notícias, explicou o presidente que fritou dois ministros da Saúde e outro da Justiça no último mês, é só desestabilizar e jogar o governo no chão. “Não vão conseguir. Jamais eu ia fritar você.”

Na cena seguinte vem a bota com couro reforçado para não queimar no óleo quente.

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Os personagens sorriem.

Vem então a surpresa aos espectadores.

Regina Duarte acabava de tirar a fita de um presente que classificou com o  sonho de qualquer pessoa de comunicação, de audiovisual, de cinema, de teatro: “um convite pra fazer Cinemateca, que é um braço da Cultura, que funciona lá em São Paulo, e é um museu de toda a filmografia brasileira”. 

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A solução permitiria seguir “secretariando o governo, dentro da Cultura, na Cinemateca”. 

“Pode ter um presente melhor que esse? Obrigada, presidente!”.

O presente, explicou o presidente, permitiria à atriz ficar em São Paulo, perto do lado do seu apartamento, e produzir muito mais.

Aquela não era uma despedida. Era um até breve.

Na fala ensaiada, Bolsonaro fingiu que não fritou a atriz.

Regina, boa atriz que é, fingiu que acreditou.

Na novela Roque Santeiro, a personagem Viúva Porcina, de Regina Duarte, tinha a canção “A hora e a vez” como tema. Um dos trechos dizia: “Paga a promessa que não fez, diz a verdade ao mentir”.

A novela da vida real também chegou ao fim.

Vem aí o ex-galã de “Malhação”.

Se não fizer cosplay de nazista, nem zombar de mortos das ditaduras e das pandemias, já terá feito mais pela cultura nacional do que os dois antecessores.

Já são quase 18 mil mortos pela “gripezinha”.