Redes sociais: como curtir a própria pele na era dos filtros?

Quando você postou uma selfie sem filtros pela última vez? (Foto: Getty Images)
Quando você postou uma selfie sem filtros pela última vez? (Foto: Getty Images)

Recentemente, um problema técnico no Instagram e rumores de que a rede social pretende abolir os filtros pelo bem da saúde mental dos usuários fizeram muita gente cogitar abandonar a plataforma ou procurar alternativas para continuar a usar recursos que escondem "imperfeições". A falha foi corrigida, mas um questionamento persiste: por que nos tornamos tão dependentes de edições em fotos e vídeos?

"A pele é um dos nossos principais cartões de visita. E, em uma realidade em que passamos tanto tempo on-line, com esses filtros à mão e expostos a comparações, não é raro ficarmos insatisfeitos e inseguros com a nossa aparência", avalia Márcia dos Santos Senra, coordenadora do Departamento de Psicodermatologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Em diferentes níveis, a possibilidade de modificar drasticamente a fisionomia e acompanhar sempre outras pessoas que parecem não ter poros dilatados, acne ou rugas, por exemplo, afeta a todos e tende a gerar expectativas inatingíveis — mesmo recorrendo a métodos mais efetivos e invasivos. "A face é complexa e dever ser avaliada como um todo. Nem sempre é possível alterar certas características da forma que o paciente deseja e cabe ao profissional pontuar isso antes que qualquer procedimento seja feito", diz a odontologista Andressa Barros, especialista em harmonização facial.

Deixe de seguir o padrão

Para a psicóloga Rogéria Taragano, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq HC-FMUSP), de modo geral, diminuir o tempo nas redes sociais, parar de usar filtros e buscar inspiração em quem mostra a pele real e fala sobre esse tipo de assunto é um bom primeiro passo para recuperar a autoestima.

"Vale ainda investir em autoconhecimento, terapia ou até uma ajuda profissional especializada, dependendo do caso. Mais do que uma rotina de skincare ou tratamentos estéticos, é pensar no autocuidado em todos os aspectos, físico e emocional, e trabalhar também a autoaceitação e a autocompaixão", destaca a psicóloga.

Opiniões divididas

Na direção das pesquisas que sugerem que os filtros têm impacto negativo na saúde mental, a criadora de conteúdo Marieli Mallmann decidiu, há um ano, não usar efeitos que interfiram na pele ou nos traços. “A Marieli lá de trás percebeu que nunca iria se aceitar por meio de uma construção ficcionada e por isso achou que a melhor escolha que poderia fazer, tanto por ela quanto por quem a acompanha, era encarar as telas e o espelho do jeito mais real possível. [...] Nos primeiros dias foi bem ruim, não vou negar. O retoque virtual realça aquela ficção de vida ideal e beleza que a mídia social já gera e abrir mão disso foi difícil. Mas depois, depois ficou mais leve, mais fácil e mais honesto”, refletiu ela no Instagram.

A recepcionista Andressa Sales, por sua vez, sofre com acne adulta e acredita que os filtros a ajudam a lidar com o receio da cobrança pela perfeição na internet. “Tento não fugir muito da realidade. Uso o suficiente para me sentir mais confortável ao postar quando estou com muitas espinhas. Querendo ou não, ainda existe muita pressão por parte da sociedade e, como nas redes sociais todo mundo parece perfeito, é um jeito de você não se sentir inferior ou estar mais exposta a comentários desagradáveis”, explica ela ao Yahoo.

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