Rede de Ódio, da Netflix, é o reality show do Brasil de Bolsonaro

Thiago Romariz
·3 minuto de leitura
Maciej Musialowski como Tomasz Giemza em Rede de Ódio (The Hater), da Netflix. Foto: Jaroslaw Sosinski / Naima Film/ Netflix
Maciej Musialowski como Tomasz Giemza em Rede de Ódio (The Hater), da Netflix. Foto: Jaroslaw Sosinski / Naima Film/ Netflix

Rede de Ódio, o sucesso europeu disponível na Netflix, é o retrato ficcional de um mundo engolido pelo extremismo reacionário.

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Filmado na Polônia, o filme conta a história de um jovem interiorano que se vê perdido na cidade grande após ser expulso da faculdade por cometer plágio. A saída é trabalhar em uma agência de falsas notícias que destrói reputações alheias na internet a troco de dinheiro e protagonismo político. É ficção, mas parece reality show.

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A história do protagonista Tomasz se confunde com as motivações do empregador, e ao explorar as frustrações de uma vida regrada pelo fracasso, o roteiro de Rede de Ódio tenta mostrar que a máquina de fake news é um centro de manipulação de pessoas sem perspectiva, educação ou estabilidade psicológica.

Tomasz é mitomaníaco, obcecado por mentiras, ainda que se paute no "amor não correspondido" para inúmeras atitudes. É o tradicional figurão da internet que vive por trás dos avatares, dos chats e sessão de comentários. Parece fanfic, mas é a realidade.

Durante as duas horas de filme, pouco da trama ou do ritmo de Rede de Ódio envolve. Os personagens passeiam pelos estereótipos de roteiros simplórios, e até mesmo a forma como Tomasz perde seu pingo de humanidade é traduzido em sequências com sombras e trilha pesada.

Como não podia ser diferente, há também "o outro lado", a amostra de que “ninguém é bonzinho" e que não existe um só vilão – mesmo que no primeiro ato um dos personagens questione na mesa de jantar "tolerar fascismo em 2020?" mais de uma vez. Parece absurdo, mas é atual.

O impacto do filme está nas semelhanças com nossos dias. Todos os dias. Com os grupos de WhatsApp, com as manchetes de jornal, com os bots no Twitter, com os negacionistas, os antivacina. O incômodo aqui é saber que temos um Gabinete nos mesmos moldes da agência de Tomasz no Planalto, agindo ao bel prazer daqueles que comandam o país.

E ainda que não exista uma experiência notável na história de Rede de Ódio, o impacto está na contextualização atemporal e sem territórios mostrada. Não importa onde, o fato é que a humanidade regrediu a ponto de considerar o ódio uma ferramenta de mudança cultural. Parece mentira, mas é o Brasil.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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