Recordista de efeitos especiais no Brasil, 'Malasartes e o Duelo com a Morte' se sustenta pela boa história

(Imagem: divulgação Paris)

‘Malasartes e o Duelo com a Morte’ chega aos cinemas nesta quinta-feira trazendo o status de ser o filme brasileiro com maior investimento em efeitos especiais da história. Quase metade do orçamento total de R$ 9,5 milhões do longa foi dedicado a isto, e cerca de 50% das cenas fazem uso de algum recurso em computação gráfica. São números impressionantes, mas que não se sustentariam por si só se não estivessem à serviço da trama. Felizmente, estão.

É bom falar que a maioria destes efeitos se concentram no cenário sombrio onde vive a Morte (Julio Andrade). Naquele ambiente apocalíptico, a entidade se diz cansada da eternidade e procura por um sucessor, alguém que assuma a missão de comandar o destino dos homens. Por lá também vagam seu ajudante atrapalhado Esculápio (Leandro Hassum), e três bruxas, as Parcas (Vera Holtz, Luciana Paes e Julia Ianina), responsáveis por entrelaçar os rumos das vidas humanas, em teares gigantescos – uma das muitas referências à cultura popular nacional.

Este clima de fantasia também ronda o “mundo real” onde, paralelamente, se passa a outra metade do filme. Num vilarejo típico do interior brasileiro, Pedro Malasartes (Jesuíta Barbosa) se vira como pode para ganhar uns trocados, recorrendo a muita lábia, malandragem e jogo de cintura. É algo comum em muitas figuras do nosso folclore, de Jeca Tatu a Mazzaropi, mas a boa interpretação de Jesuíta consegue dar um tom de inocência infantil ao personagem.

Entre suas malandragens, a fuga do temível gigante Próspero (Milhem Cortaz), e o romance com a mocinha Áurea (Isis Valverde), Malasartes tem um encontro com a Morte, que lhe concede o dom de saber quem está prestes a bater as botas e até poder salvar três destas pessoas. É claro que o protagonista iria usar esta habilidade para tirar uma graninha extra, o que acaba fazendo com que ele e seus amigos entrem em apuros.

Divertido, leve e tecnicamente impecável, o longa do diretor Paulo Morelli, que passou mais de 30 anos entre a primeira ideia e a chegada do projeto aos cinemas, tem aquele clima típico das novelas das seis globais. Que faça um sucesso de público parecido.