Raphael Vicente mostra favela sem estereótipos com clipe na Maré: "Transborda cultura"

Raphael Vicente no clipe de
Raphael Vicente no clipe de "Waka Waka". Foto: Reprodução/Youtube

Resumo da notícia:

  • Raphael Vicente ressignifica favela com clipe de "Waka Waka"

  • Em entrevista ao Yahoo, influenciador falou sobre importância do trabalho

  • Remake do hit de Shakira muda o foco midiático de violência da favela carioca

Mais de uma década depois de "Waka Waka" conquistar o mundo na voz da latina Shakira, o clipe da música ganhou uma nova versão gravada no Rio de Janeiro. A música tema da Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, foi repaginada pelo influenciador Raphael Vicente ao lado de outros moradores do Complexo da Maré em uma ação contra o estereótipo da comunidade como criminosa e violenta.

Em entrevista ao Yahoo, o jovem da favela carioca com mais de 3 milhões de seguidores destaca a importância da produção para ressignificar a imagem destorcida da comunidade. Ele recriou o clipe do hino atemporal com coreografias em grupo e remix de funk em trecho da faixa interpretada pela diva colombiana. "Um vídeo que iria mostrar como é a favela durante a Copa. Pintamos ruas, decoramos com bandeirinhas, trouxemos a animação e empenho das pessoas para esse momento", afirma.

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Raphael pontua como é preciso mostrar que a Maré tem muito entretenimento a oferecer, além do preconceito estigmatizado. "Favela é um lugar que transborda cultura e talento e, na Maré, não é diferente. Reunir pessoas faveladas, negras, LGBTQIAP+, que são o tempo todo colocadas como traficantes só por apenas estarem ali naquele espaço, e fazer um vídeo onde elas estão dançando, se divertindo e sendo quem realmente são, é de extrema importância", declara.

"Copa sempre gera esse clima de união na nação. Na favela, somos unidos a qualquer hora e em qualquer tempo. Mas durante esse período, isso se intensifica. Eu gosto muito de ver como a galera se movimenta para decorar as ruas, para assistir aos jogos".

Questionado sobre sentir na pele o preconceito da sociedade com a população periférica, Raphael não nega o quanto precisou resistir para ascender na mídia. "Existe uma parcela da mídia/sociedade que trata as favelas como lugar de violência. Tentar mudar essa imagem e mostrar a real realidade é muito difícil, uma vez que o Estado esconde a nossa existência. Por ser preto, eu precisei ter o dobro de esforço para conseguir ocupar tudo hoje", pontua.

Mesmo conseguindo exercer sua influência aos poucos, Raphael confessa que ainda se depara com comentários que invisibilizam o morador da favela como cidadão.