Rainha Elizabeth 2ª: mais de 100 fotos com a história da monarca

Resumo da Notícia:

  • Elizabeth II estava há mais de 70 anos como monarca do Reino Unido, 16 países e a comunidade da commonwealth

  • A rainha chegou ao trono aos 26 anos e teve quatro filhos com o príncipe Philip, que foi seu marido por 74 anos

  • Em 1968 a rainha visitou o Brasil e ficou mais de 10 dias viajando do Recife ao Rio de Janeiro

Uma vida de 96 anos é repleta de memórias e a rainha Elizabeth II viveu as mais diversas durante toda sua trajetória. A monarca, que morreu nesta quinta-feira, na Escócia, deixa um legado de coragem, persistência, bravura e acima de tudo dedicação ao seu dever com o povo e a instituição da realeza.

Nesta galeria, reunimos em mais de 100 fotos parte dos momentos que ela viveu, a começar pelo nascimento, em 1926, como princesa de York. Filha dos duques de York, ela não tinha chances de ascender ao trono até os 10 anos, quando o pai foi convidado a assumir o Reino Unido após o rei abdicar dos deveres para viver um amor.

Aos 12 anos, a princesa começou a ser ensinada e treinada para assumir o trono no futuro. Por conta da futura função, ela não seguiu a escola tradicional, como todos na linha sucessória, e foi ensinada sobre história do mundo, geografia, economia, política e questões sociais, assuntos que são necessários para que o monarca tenha empatia e consciência para liderar seu povo nos momentos mais complicados.

Como todos os membros da realeza, Elizabeth também se dedicou à carreira militar e foi para o fronte do exército britânico durante a Segunda Guerra Mundial. Além de ajudar nos destacamentos terrestres, ela chegou a fazer reparos em caminhões militares.

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O casamento

Quando completou 20 anos, subiu ao altar, na Abadia de Westminster com Philip, príncipe da Grécia e Dinamarca. A união reconectou as duas linhagens de descendentes da grande Rainha Vitória. O casamento foi o primeiro transmitido por rádio da história e foi acompanhado por mais de 200 milhões de pessoas ao redor do mundo.

Um ano depois da união, eles apresentaram aos súditos o futuro herdeiro do trono, o príncipe Charles. Neste ano, ela fez um discurso, no seu aniversário de 21 anos, em que prometeu dedicar “toda sua vida” ao povo britânico. Dois anos depois nascia Anne, a segunda filha do casal. Em 1951, a princesa Elizabeth começou a assumir mais compromissos oficiais no lugar do pai, o Rei George, que descobrira um câncer e se dedicava a cuidar de sua saúde.

Em 1952, Elizabeth e Philip iniciaram uma viagem que era, originalmente, do rei, por países que a realeza britânica é soberana na África e Oceania, mas na madrugada do dia 5 para o dia 6 de fevereiro, cerca de 5 dias após o início da viagem, Elizabeth se tornou rainha com a morte repentina do monarca.

Sua majestade

Ela interrompeu a viagem imediatamente e, antes de voltar a Londres, escreveu cartas de próprio punho aos presidentes dos países que viajaria pedindo desculpas pelo cancelamento da turnê real. No Reino Unido, participou de uma cerimônia restrita de ascensão onde se apresentou como rainha, mas não foi coroada.

Cumprindo o protocolo de luto, que durou um ano, Elizabeth II foi coroada em 1953. Esta foi a primeira, e única, coroação na história a ser transmitida pela televisão. Mas o momento da unção de óleos, que une a monarca a Deus, não foi vista por ninguém fora da Abadia por conta de seu ritual histórico.

Desde então, ela se dedicou a viajar pelo mundo reforçando a imponência do império britânico e a promoção da monarquia. Para a surpresa do público, em 1960 chegou Andrew, o primeiro príncipe a nascer durante um reinado em mais de 100 anos no Reino Unido. Quatro anos depois, nascia o príncipe Edward, o quarto filho do casal.

Visita ao Brasil

Sua majestade visitou o Brasil em 1968 e fez uma longa turnê real por grande parte da costa. Ela desembarcou no Recife ao lado do marido, o príncipe Philip, e após uma passagem de duas horas por Olinda embarcou em um iate real rumo a Salvador.

Depois de passar o dia na capital baiana, o casal real ficou dois dias navegando pelas águas brasileiras até desembarcarem de um voo em Brasília, onde foram recepcionados pelo presidente Artur da Costa e Silva, o segundo durante a Ditadura Militar. Depois, eles foram a São Paulo e participaram de um banquete com a presença de Wilson Simonal, Jair Rodrigues e Elza Soares.

O casal dormiu no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo da capital, e de lá foram para Campinas, onde passaram o dia em uma estância rural e cavalgaram, uma das paixões de Elizabeth II desde jovem. No dia seguinte. ela embarcou para o Rio de Janeiro, onde passou dois dias e ofereceu um jantar para 50 pessoas em seu iate real. Seu último compromisso no país foi assistir a um jogo no Estádio do Maracanã e entregar um troféu para o time vencedor, que tinha Pelé como capitão.

Príncipe de Gales

Em 1969, a rainha Elizabeth II realizou um dos rituais mais importantes da monarquia britânica, que ela não teve tempo de viver. A monarca investiu ao primeiro filho, Charles, a coroa de príncipe de Gales, um dos países do Reino Unido. Mesmo tento o título desde os nove anos, ela esperou que o primogênito tivesse consciência das responsabilidades do cargo para a cerimônia. Ele não queria participar, mas o dever se impôs - o título de Príncipe de Gales é restrito apenas aos herdeiros direto do trono britânico e será dado a William e George no futuro.

Lady Di

Em julho de 1981, Elizabeth 2 casou seu primogênito, o príncipe Charles, com a lady Diana Spencer. A princesa logo ganhou a admiração do público e se tornou a membro mais querida de toda a realeza. Lady Di, então, passou a acompanhar a rainha em diversos eventos oficiais não só para voltar a atenção para ela, mas para manter a nora sob sua vigilância.

Nos anos seguintes, Diana se separou de Charles e o assunto se tornou um escândalo. O príncipe e a princesa tinham amantes e todos os casos extraconjugais estampavam os jornais britânicos. Lady Di morreu em 1997 quando fugia, com seu novo namorado, de paparazzis. O carro bateu e capotou. Na ocasião, a frente do palácio de Buckingham foi tomada de flores, velas e bilhetes de condolências e a Majestade ofereceu a ela um velório digno de seu antigo posto na coroa. Ela também foi enterrada nos jardins do palácio que residia.

Viajou o mundo

Até meados de 2010 a rainha Elizabeth II fazia longas viagens oficiais para visitar os países que era monarca e outros que o Reino Unido tinha acordos, como os Estados Unidos, em 2017. À época ela já tinha 91 anos e estava reduzindo suas tarefas reais fora da Inglaterra.

Charles, o herdeiro do trono, completaria 70 anos no ano seguinte e começou a assumir novos compromisso reais no Reino Unido enquanto seu filho, o príncipe William, com 35 anos, começou a viajar pelo mundo com a mulher, Kate Middelton, a duquesa de Cambridge.

Menos compromissos

A partir de 2019 a rainha Elizabeth II parou de usar a Coroa do Estado Imperial, símbolo da monarquia na abertura do Parlamento inglês e em eventos oficiais, por conta do peso e sua idade. A peça começou a entrar no parlamento à sua frente, simbolizando que a realeza vem antes de qualquer membro.

Em 2020, com o início da pandemia de covid-19, sua majestade e o príncipe Philip se isolaram da corte e dos súditos no Castelo de Windsor, que é mais afastado e restrito no acesso ao público. O casal evitou qualquer evento presencial ou viagem por conta da idade avançada deles. Mas a rainha gravou mensagens de apoio ao povo em diversas ocasiões.

Um dos poucos eventos que ela participou foi quando concedeu o título de Sir, pela Honra da Cavalaria, a Thomas Moore, de 100 anos. Ele se tornou cavaleiro em junho de 2020, no Castelo de Windsor, após arrecadar cerca de R$ 215 milhões para o sistema de saúde do Reino Unido dando voltas entorno de sua residência com uma campanha online. Quanto mais dinheiro arrecadasse, mais ele andaria. Sua majestade quis recompensá-lo por sua bravura e empenho com o povo britânico.

Rainha viúva

Em 2021 a monarca sofreu uma de suas maiores perdas em toda sua história. Semanas após passar por uma delicada cirurgia no coração, o príncipe Philip não acordou. No dia 9 de abril a rainha comunicou a morte do seu marido, que estava com 99 anos e ao seu lado há 74 anos. Foi ele quem a avisou sobre a morte de seu pai, que a ajudou a tomar difíceis decisões e mesmo contrariado e rebelde, nunca se afastou do seu lado.

O velório seguiu as normas vigentes pelo governo do Reino Unido para estas ocasiões e só 30 membros da corte acompanharam o cortejo e sepultamento. Transmitido pela televisão, o mundo chorou e se solidarizou com a rainha, que por conta do distanciamento social necessário por conta da pandemia de covid-19, sentou-se sozinha na Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor.

Ela se curvou ao corpo do marido quando o caixão entrava no local carregado por soldados e coberto com a bandeira que levava seu brasão. Ao fim, Elizabeth II quebrou o protocolo e se despediu do marido colocando um buquê de flores com um cartão em sua urna funerária. Se lia algo como “In loving memory” (Em Memória Amorosa, em tradução livre). Ela assinou como Lilibeth, que é o apelido que ele a chamava.

Vida pós pandemia

Após alguns meses de luto ela voltou às obrigações reais e voltou a aparecer em eventos públicos. Em sua tradicional mensagem de Natal aos súditos, onde sempre se viu diversas fotos da família sobre a mesa, havia apenas uma em que ela estava com o marido.

No fim de 2021 ela reduziu os eventos oficiais que estava participando por ordens médicas. Também foi solicitado que ela parasse de beber seu tradicional martini, como fez durante toda a vida. Em 2022 a rainha foi contaminada com o vírus da covid-19, mas por estar completamente imunizada contra a doença, teve apenas sintomas de um resfriado aos 96 anos.