Rainha da Mangueira fantasiada de Cristo não samba na avenida: "Maior experiência"

Ricardo Rigel

Evelyn Bastos, rainha de bateria da Mangueira, começou o desfile tensa. Afinal era a primeira vez que a moça, que é cria da comunidade, passaria pela Marquês de Sapucaí sem sambar. A decisão, segundo ela, foi em respeito às denominações religiosas que poderiam se sentir ofendidas com a sua performance.

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"A luta é grande. Hoje, uma rainha de bateria está tapada, e eu espero que todos os corações recebam nossa mensagem. É a maior experiência da minha vida, estou me preparando psicologicamente há um mês para isso.”

Evelyn Bastos, rainha de bateria da Mangueira (Foto: Buda Mendes/Getty Images)

Logo no Setor 1, algumas pessoas reagiram com estranheza quando viram a rainha coberta e fantasiada de Cristo. Em frente às cabines de rádio duas musas conversavam sobre a fantasia de Evelyn Bastos. Indignada uma delas esbravejou.

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"Que ridícula. Que falta de respeito com Jesus Cristo. Se ela sabe que é polêmico, porque não escolheu representar uma outra figura? Tinha que ser Jesus? Nunca vi uma rainha passar pela Sapucaí assim”."

Evelyn Bastos, rainha de bateria da Mangueira (Foto: Buda Mendes/Getty Images)

Questionadas pela reportagem as duas taparam a identificação que estava pendurada no pescoço e falaram que mantinham a opinião, mas não queriam se expor.

Mas a reação das moças não refletiu a opinião do público. Da arquibancada, muita gente aplaudiu e se emocionou com a interpretação da rainha. O administrador Luiz Eduardo Fontes se encantou com a maneira como Evelyn Bastos encarnou o personagem:

"Ela está literalmente divina. É emocionante ver a maneira respeitosa que ela está interpretando Jesus. Pra mim é a Rainha das Rainhas. Uma mulher forte e que representa a comunidade da Mangueira divinamente."

A Rainha falou da experiência ao chegar na dispersão:

“Estou emocionada com a reação do público. É um misto de alívio e dever cumprido. Mas foi uma das coisas mais difíceis que já precisei enfrentar, atravessar uma Sapucaí inteira sem sambar foi inédito pra mim.”