Rafael Ilha em foto com Assunção e Casagrande: 'Contra a tortura psicológica'

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(Foto: Reprodução/Instagram/@rafael_ilha_oficial)
(Foto: Reprodução/Instagram/@rafael_ilha_oficial)

Rafael Ilha não vê problema em admitir que já chegou no fundo do poço. Ele, que morou embaixo de uma ponte quando usava drogas, sabe muito bem como é estar lá e o que é preciso fazer para largar o vício. É por nunca esquecer de sua história que o cantor se revolta toda vez que lê alguma piada ou brincadeira de mau gosto envolvendo o ator e dependente químico Fábio Assunção.

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Na última segunda-feira (01), o campeão do reality “A Fazenda 10” publicou uma montagem em que aparece ao lado de Fábio e do ex-jogador de futebol Walter Casagrande. Na legenda, escreveu que ser dependente químico não tem graça, falou sobre as dificuldades e pediu respeito a todos.

Em conversa com o Yahoo, Rafael conta que o que o motivou a fazer o desabafo na internet foi justamente o sentimento de empatia. “Foi mais por ele. Estou recuperado há 19 anos, o Casagrande há pouco tempo e o Fábio tem suas recaídas. Admiro muito como ator e guerreiro. É muito difícil se libertar do vício”, diz o cantor.

Na época em que era usuário de drogas, Rafael perdeu tudo e foi desacreditado pelos próprios familiares, por isso fala com propriedade sobre o impacto dos comentários negativos para quem tenta se libertar das drogas. “A minha família toda me abandonou. Meu pai, minha mãe. Já tinha passado por mais de 30 internações e eles estavam cansados. Eu agredia fisicamente e verbalmente. Mas alguém precisava acreditar em mim e alguém também precisa acreditar no Fábio”, afirma.

Para Ilha, que toda sexta-feira recebe montagens de fotos em que aparece ao lado de Casagrande e Assunção, essas postagens são uma vergonha e funcionam como um ataque psicológico.

É uma sacanagem ficarem massacrando o Fábio, querendo aparecer às custas dele com esses vídeos. É um ataque psicológico em cima de um cara que tem filhos, família. As pessoas que divulgam essas imagens são as piores. Não esperava uma repercussão tão grande quando fiz o desabafo

Ainda de acordo com o cantor, que fez sucesso com o grupo Polegar na década de 80, as pessoas não têm conhecimento sobre o tema e julgam demais quem passa por uma situação como a de Fábio, mas precisam entender que a dependência química é uma doença. “É um câncer. Quando digo isso não comparo a questão de você escolher ou não. A comparação é no sentido de ser uma doença como as outras. E o usuário não é um dependente“, explica.

Empatia tem poder

A publicação de Rafael Ilha já tem mais de 16 mil curtidas no Instagram, mas tem um valor imensurável para quem precisa largar as drogas. De acordo com o psicólogo e advogado Jacob Pinheiro Goldberg, quando alguém é desqualificado e transformado em um personagem desprezível, como estão fazendo ao compartilhar imagens pejorativas de Fábio Assunção, essa pessoa sofre uma tortura psíquica.

A chacota e a gozação a partir de certo nível é uma forma de tortura. Todo ser humano tem uma demanda para o reconhecimento da sua dignidade e integridade como pessoa. Desde a infância até a idade adulta queremos o respeito do olhar do outro, tanto de amigos quanto de desconhecidos. Isso é mais profundo ainda em celebridades. O exemplo de pessoas que conseguiram superar esse linchamento moral sempre ajuda, diz ele.

O especialista ainda garante que o dependente químico que procura tratamento é porque já está fragilizado e carente, por isso o que espera é um crédito, um voto de confiança. A maioria, no entanto, faz diferente. “Muitos desacreditam e provocam uma desesperança na pessoa. Isso pode levar a destruição do psiquismo e até, eventualmente, o fim da vida dessa pessoa”, afirma Goldberg.

No campo jurídico, o advogado garante que é possível processar pessoas que fazem piadas com dependentes químicos na internet, como essas montagens que Rafael Ilha acusa receber e os vídeos em que Fábio Assunção aparece em momentos de abstinência.

“Existem várias caminhos no código penal e civil porque essas publicações podem significar uma desvalorização, principalmente na imagem de um artista. Existe prejuízo moral e financeiro, uma vez que a pessoa pode perder trabalhos por conta disso. Portanto, quem faz esses posts, caso seja identificado, pode responder criminalmente”, alerta Jacob.

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