Racismo no 'BBB 20': VIPs da vida real não se importam com a negritude na xepa

Racismo no 'BBB 20': VIPs da vida real não se importam com a negritude na xepa (Foto: Reprodução/Instagram@marcelamcgowan/@babusantana)

Negros são 75% entre os mais pobres do Brasil; brancos, 70% entre os mais ricos (IBGE). Se os números escancaram que o racismo não dá trégua, por que ficamos tão chocados quando a ‘loirinha sensata’ do ‘BBB 20’ diz que o lugar de Babu é na xepa e que levaria o ator pro VIP para ‘arrumar a cozinha’? 

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Os comentários em conversa protagonizada, na última quarta-feira (4), pelo casal formado por Marcela Mc Gowan e Daniel Lenhardt - que (segundo a participante Manu Gavassi) tem a ‘cor que combina’ e é ‘esteticamente agradável’ -, foram classificados como racistas pelos internautas.

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Realmente, para os que fecham os olhos para o racismo, para os que dizem que ele não existe e que vem dos ‘negros’ o discurso vitimista de ‘mimimi’ (leio tanto isso aqui nos comentários), deve ser chocante ouvir essa fala escancaradamente preconceituosa no BBB. Para nós, negros, é mais do mesmo que recebemos diariamente como herança escravocrata. Não nos choca, mas nos afeta e nos machuca.

Marcela, que caiu nas graças do público do programa por militar apenas bandeiras que lhe convêm, baseia seus comentários racistas no comportamento ‘raivoso’ de Babu. Diz que ele 'não está merecendo' o VIP pela convivência difícil e sugere que ele arrumaria confusão no grupo.

Ora, ora, tão parecido com a vida aqui fora, onde parte da população negra (lembrem-se: somos 75% entre os mais pobres do Brasil) é privada de comida e de tantos outros direitos básicos e é tida como raivosa quando os reivindica ou aponta os privilégios da elite (em sua maioria branca).

Então, eu quero entender quanto dessa comoção na edição do 'BBB’ com maior audiência da história é mera hipocrisia, quanto é catarse para uma branquitude ciente de seus privilégios e interessada em manter-se no grupo VIP da sociedade e quanto é de fato potencial oportunidade de reflexão e de ação para construirmos uma sociedade mais igualitária?

Enquanto a agressividade de Priori (colocado sim na berlinda já), o machismo e o desrespeito de Daniel não vão ao paredão, e Marcela já especula tirar Babu do programa com a debochada frase: “Ou a gente põe ele no paredão e daí sai e pode comer o que quiser”, que estratégias estamos traçando, aqui na vida real, para eliminar o racismo das estruturas da sociedade?