Rússia nega a Guerra da Ucrânia ao promover show de propaganda em São Paulo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo russo promoveu na noite desta quinta-feira (28) um concerto do Coro Turetski, um dos mais tradicionais do país, no auditório Simón Bolívar, no Memorial da América Latina, na capital paulista. O espetáculo teve apoio financeiro e logístico do governo de Moscou e do Ministério de Negócios Estrangeiros da Federação Russa, num ato de propaganda política em meio à Guerra da Ucrânia.

Em entrevista à Folha pouco antes do início do concerto, o cônsul-geral da Rússia em São Paulo, Vladimir Tokmakov, negou a existência de um conflito local e afirmou que uma operação especial está em curso, ecoando a narrativa do Kremlin.

Tokmakov também negou que o concerto seja propaganda política. Ressaltou que o espetáculo busca apenas fazer propaganda da cultura russa. "É impossível cancelar a nossa cultura, porque Dostoiévski e Tolstói, por exemplo, pertencem ao mundo", ele disse, em referência ao boicote à cultura russa promovido por diversas instituições ocidentais depois da invasão da Ucrânia por Vladimir Putin no início deste ano. Segundo o cônsul-geral, a Rússia é feita de muitas nações, e isso inclui seu inimigo atual. "Foi uma divisão totalmente artificial", afirmou.

Criado há 30 anos, o Coro Turetski arrastava multidões nas principais capitais da Europa Ocidental até o início da guerra, quando os shows foram cancelados por todo o continente. "Isso é problema dos europeus. Até ontem, eles estavam nos aplaudindo", disse Tokmakov.

É a primeira vez que os artistas se apresentam na América do Sul. Com a turnê "Canções da Unidade", o grupo se apresentou no Uruguai, Argentina e, na quarta (27), estiveram no Municipal do Rio de Janeiro, antes de chegar a São Paulo.

Tokmakov negou que o motivo da apresentação seja a guerra. Segundo ele, foi uma oportunidade que se criou no momento. O coro Turetski surgiu no âmbito da sinagoga de Moscou e, até hoje, tem forte influência da cultura judaica.

Indagado se o concerto também poderia servir para mudar a imagem que a Rússia teve no passado entre a comunidade judaica, Tokmakov negou a existência de "pogroms" —massacres, ataques acompanhados de destruição, assassinato e roubo, perpetrados por uma parte da população contra outra— ou do antissemitismo na União Soviética. Disse que a Rússia abriga a maior sinagoga do mundo e que não há nenhum problema com os judeus.

Por fim, Tokmakov afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (PL) sempre declarou ter interesse em cooperar com a Rússia, fazendo questão de ressaltar o histórico de amizade entre os países.

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