"Querimbóra", "Tô com reiva": o que podemos aprender com Juma em "Pantanal"

Alanis Guillen interpreta Juma em
Alanis Guillen interpreta Juma em "Pantanal" (Foto: João Miguel Júnior/Globo)

Não são poucas as vezes que Juma, personagem de Alanis Guillen, bate o pé e diz que não vai fazer o que os outros querem em "Pantanal". Criada por Maria Marruá (Juliana Paes), a menina foi ensinada desde criança a se virar sozinha e não confiar em ninguém, principalmente em homens. "Querimbóra" e "Tô com reiva" são os bordões mais repetidos.

Para alguns, a rigidez e repetição da personagem já cansou e tem até provocado ranço. Outros já admiram e desejam ter essa força para dizer "não" e ser fiel aos desejos. Pensando bem, quem nunca quis ser livre para fazer o que realmente quer sem se importar com o que os outros vão pensar? Juma é uma personagem complexa, cheia de camadas.

É importante dizer 'não'

Segundo o psicólogo Alexander Bez, especialista em relacionamentos pela Universidade de Miami (UM) e especialista em Ansiedade e Síndrome do Pânico pela Universidade da Califórnia (UCLA), dizer "não" e impor limites para os outros é muito importante.

"Pode ser positivamente determinante para que a pessoa tenha um futuro 'existencialmente promissor', como falar não às drogas, aos companheiros violentos, às relações tóxicas", defende. "Falar 'não', não se restringe apenas ao mote verbal, mas, sim - e também - a toda uma mudança de conduta, se afastando definitivamente daquilo que não quer", completa.

Como tornar isso uma realidade?

Na psicoterapia psicanalítica é possível trabalhar a elevação da autoestima para ficar mais próximo dos desejos e aprender a "dizer não" ao que desagrada. O psicólogo, no entanto, lembra que algumas pessoas já nascem com isso no DNA. É o caso da "personalidade soberana", que se encaixa no perfil de Juma Marruá pelo que temos acompanhado.

"Ela é transmitida via geneticamente. Sendo a base da fortaleza pessoal da mulher. Nas personalidades soberanas, a mulher é independente e autossuficiente, por isso ela não liga e não precisa da opinião de ninguém", explica Bez.

A personalidade soberana, segundo o psicólogo, também vem acrescida de diversos pormenores: uma compreensão mais afiada; detecção mais apurada acerca dos outros; opinião previamente estabelecida, capacidade maior de avaliação; capacidade de romper uma relação tóxica. É muito poder, não é mesmo?

Mas, atenção, nada disso tem a ver com "não conseguir conviver com outras pessoas". Quem tem essa personalidade vive e convive, "só não se deixa influenciar". Não ponderar e não ser flexível sempre será indício de algo e terá suas consequências.