Erasmo Carlos perdeu primogênito em acidente; outros dois filhos do cantor seguiram carreira artística

Roberto Carlos no Maracanã para comemorar 50 anos de carreira. (Foto: TV Globo / Márcio de Souza)
Roberto Carlos no Maracanã para comemorar 50 anos de carreira. (Foto: TV Globo / Márcio de Souza)

Pioneiro do rock no Brasil e símbolo da Jovem Guarda, Erasmo Carlos morreu na tarde desta terça-feira (22) aos 81 anos de idade. O artista foi vítima de complicações - a causa oficial da morte ainda não foi divulgada. Ele estava internado em um hospital no Rio de Janeiro.

Quem são os filhos de Erasmo Carlos?

Erasmo teve três filhos e foi casado com Narinha, que morreu em 1995. Alexandre Pessoal, o primogênito, morreu em 2014 após sofrer um acidente de moto. O segundo filho é Gil Eduardo, que é baterista e já fez parte do grupo Blues Etílicos, grupo brasileiro de blues que surgiu na década de 80.

O filho caçula de Erasmo Carlos é Leonardo Esteves, que também está envolvido em negócios do ramo artístico.

Filho deixou carta emocionante para o pai

Alexandre sofreu um acidente de moto e teve traumatismo craniano. Ele ficou oito dias em coma, mas não resistiu.

Alexandre e o pai tinham uma ligação muito especial e o rapaz chegou a deixar uma carta para Erasmo. Nos tempos de colégio, ele chegou a pensar que sua família era homenageada no Hino Nacional do Brasil e deixou registrado em uma carta escrita em 2008. O material foi publicado pela primeira vez pelo EXTRA, em 2014. Leia abaixo:

"Ordem cívica

Ser criança é ser pleno, é ser desprovido de todas as vaidades e preocupações com a inocência que só Deus poderia criar. Algumas delas têm a real noção disso? Claro que não. E eu, como todas, também não tinha.Era o tempo de escola: recreio, lancheira, bola de gude, as primeiras namoradas, futebol em todas as suas formas e a cabeça lotada de brincadeiras sem fim, mas ao menos uma vez ao dia me via obrigado a fazer a formatura cívica. Todas as crianças se sentiam num momento de suplício, enfileiradas e quietas (ou quase) marchando, cantando e decorando não só o Hino Nacional, mas também o da Bandeira, do Soldado, da Independência, da Proclamação da República e qualquer outro hino possível, mas que provavelmente hoje não povoa as mentes daqueles que daquilo participavam.

Eu era sempre o mais empolgado e chegava a demonstrar uma alegria inexplicável com aquele momento que, para todos, era uma pena a ser cumprida, mas que para mim era uma felicidade maior e motivo de mais orgulho.

As crianças e as mães já me tinham como diferente e essa visão tinha dois lados, afinal eu sabia que em “boca pequena” ecoava pelos corredores do colégio “lá vai o filho do Erasmo”, quando era bom, e “lá vai o filho daquele roqueiro”, quando sentia no ar certo preconceito. Então, em uma ideia geral, eu já era diferente somente pelo fato de ser filho de artista, então todos deviam pensar “por que cargas d’água ele age assim?”.Mas nada disso importava, pois o ápice da formatura era a passagem do Hino Nacional no qual se cantava “Verás que um filho teu não foge à luta”. Ninguém me segurava naquele momento em especial e eu olhava para todos com muita pompa e um certo desdém, mas que na maioria das vezes não era correspondido no olhar e confesso que não entendia o porquê, já que aquele momento era meu.

Erasmo Carlos e seu filho Alexandre Pessoal. (Foto: TV Globo / Frederico Rozario)
Erasmo Carlos e seu filho Alexandre Pessoal. (Foto: TV Globo / Frederico Rozario)

Nascia ali uma das maiores decepções da minha vida. Um belo dia chego do colégio mais empolgado que o normal querendo dividir com meu pai aquele momento que tanto me orgulhava e fui logo dizendo: “Papai, adoro aquela parte do hino que fala da gente!”. Meu pai então disse: “Que hino, meu filho?”. E eu prontamente respondo: “o do Brasil!”. Meu pai para, pensa e subitamente fala: “Como assim, meu filho? Que hino que fala da gente?”, pergunta, curioso. “O do Brasil, papai...”. Começo então a pensar: “não é possível que o meu pai não saiba disso ou nunca ninguém tenha lhe falado, pois uma homenagem daquelas jamais passaria em branco!”.

Ele então, com um sorriso meio de lado, me pede para que eu cante essa passagem do Hino Nacional e eu, muito nervoso - afinal, ia cantar pela primeira vez na frente do meu pai e ele ainda por cima era o Erasmo Carlos - começo a cantarolar até que chega a fatídica parte e eu, digo em alto e bom som: “Erasmo um filho teu não foge à luta...”. Ele, de imediato, começa uma gargalhada sem precedentes e que não acabava, e eu com aquela cara de “será que ele não gostou?”. Depois de alguns minutos de muita curtição comigo ele revela a verdade e meu mundo cai: “Filho, não é ‘Erasmo um filho teu não foge à luta’ e sim ‘verás que um filho teu não foge à luta’”.

Depois de muita tristeza, superei tudo e hoje canto todas as letras, do início ao fim. A palavra “pai” é única para cada um e meu pai é único para mim. Te amo, pai”.