Quem são os cotados para assumir o Ministério de Saúde

Nelson Teich deixou o cargo na manhã desta sexta-feira (15). (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)

A saída do agora ex-ministro Nelson Teich abriu, novamente, uma corrida ao cargo de ministro da Saúde no governo de Jair Bolsonaro. Essa foi a segunda troca na chefia da pasta durante a pandemia do novo coronavírus. Antes de Teich, Luiz Henrique Mandetta já havia pedido demissão, em 16 de abril.

As apostas indicam que o novo nome, ainda não escolhido, deverá ser alinhado às ideias de Jair Bolsonaro: favorável ao isolamento vertical, e favorável ao uso da cloroquina.

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Até agora, são três os nomes cotados para assumir o ministério da Saúde em meio à guerra contra a Covid-19: general Eduardo Pazuello, Nise Yamaguchi e Osmar Terra.

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  • EDUARDO PAZUELLO

Escolhido por Teich para ser o número 2 do Ministério da Saúde, atualmente ocupando o cargo de secretário-executivo, o general Eduardo Pazuello foi comandante do 12ª Região Militar, em Manaus. Desde que assumiu a secretaria-executiva da pasta, o general, especialista em logística, passou a cuidar da distribuição de equipamentos, testes e respiradores para os Estados e municípios.

Pazuello era o coordenador do programa Acolhida, de recepção aos imigrantes venezuelanos em Roraima, e foi indicado para o cargo pelo próprio presidente. Em 2016, ele foi coordenador logístico das tropas do Exército que atuaram nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos no Rio de Janeiro.

O nome de Pazuello foi levado a Bolsonaro pelo grupo de generais ministros do Palácio do Planalto, em especial o chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno. O nome do general é bem aceito pelos ministros palacianos, que ressaltam sua experiência em logística em ações de emergência

Assim como Bolsonaro, o general de divisão Eduardo Pazuello passou pela Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), em Resende, Rio de Janeiro. Foi lá que, em 1984, formou-se como oficial de intendência, a área de logística do Exército. Em 2014, ascendeu ao posto de general-de-brigada e, em 2018, ao posto de general de divisão.

  • NISE YAMAGUCHI

A imunologista e oncologista, Nise Yamaguchi, 58, é uma entusiasta do uso precoce da combinação da hidroxicloroquina com o antibiótico azitromicina já nos primeiros sinais da infecção por coronavírus -e não apenas para pacientes graves, como preconiza o Ministério da Saúde e Conselho Federal de Medicina.

Ela também apoia o isolamento vertical, em que só indivíduos nos grupos de risco da doença estariam resguardados, outra ideia alinhada com o presidente Bolsonaro. Nesta sexta-feira (15), Nise foi vista no Palácio do Planalto.

No começo de abril, a médica se reuniu com Bolsonaro, que já manifestou o desejo de liberar o uso da substância mesmo antes da conclusão de estudos de eficácia e segurança, e foi convidada a integrar o gabinete de crise de combate ao coronavírus.

Diretora do Instituto Avanços em Medicina, no bairro Bela Vista, Yamaguchi é formada em medicina pela USP e fez residência em clínica médica e imunologia no Hospital das Clínicas. Na mestrado, também na USP, tratou de aspectos da imunologia de tumores. O doutorado foi na área da pneumologia.

Médica voluntária do Instituto da Criança do HC e que também atende no Hospital Israelita Albert Einstein, é reconhecida por sua visão humanística em relação a pacientes e seus familiares.

  • OSMAR TERRA

O terceiro nome é conhecido do Planalto e já vinha sendo cotado para o cargo desde a demissão de Mandetta. Ex-ministro da Cidadania, Osmar Terra é médico e vem fazendo uma série de postagens defendendo o isolamento apenas para idosos e grupos de risco, tese também defendida por Bolsonaro.

Em artigo ao jornal Folha de S.Paulo, escrito em abril, Terra alegou que, “nos países europeus que radicalizaram na quarentena, em vez de diminuir, o número de casos aumentou muitas vezes e não houve achatamento da curva epidêmica”.

Filiado ao MDB, Terra já foi prefeito de Santa Rosa (RS) e secretário de saúde no governo do Rio Grande do Sul na época do enfrentamento ao vírus H1N1. Embora Terra faça comparação entre as duas pandemias, especialistas alertam que a velocidade de propagação dos vírus é diferente.

No governo do ex-presidente Michel Temer, assumiu o Ministério do Desenvolvimento Social e foi escolhido por Bolsonaro como ministro da Cidadania, no início da gestão. A pasta é resultante da fusão dos Ministérios da Cultura, do Esporte e do Desenvolvimento Social. 

Em fevereiro de 2020, Terra foi substituído por Onyx Lorenzoni e voltou à Câmara onde ocupa o terceiro mandato como deputado federal.