‘Quem não é gorda não pode reclamar de quem usa Shein’

·3 minuto de leitura
‘Quem não é gorda não pode reclamar de quem usa Shein’ (Foto: Reprodução/ Instagram
‘Quem não é gorda não pode reclamar de quem usa Shein’ (Foto: Reprodução/ Instagram @sounatalia_ e @aquelamari)

Resumo da notícia:

  • A marca chinesa consegue ser acessível para todos os corpos;

  • As redes sociais criticam o fast-fashion por ser pouco sustentável;

  • Blogueiras plus-size mostram como as roupas ficam no corpo

A marca chinesa é criticada pela moda pouco sustentável, mas mulheres gordas veem na gigante online chance de consumir tendência de moda com preço acessível

Shein, a marca chinesa gigante do fast-fashion, com certeza já apareceu para você em um anúncio do Instagram, do Facebook, do Google (ou dos três). É uma loja de departamento online gigante, onde encontra-se de tudo. De chinelo a vestido de noiva. E é também cercada de polêmicas. Por produzir novas coleções o tempo todo, o que vai na contramão da ideia de uma moda mais sustentável, a marca é super criticada. Mas a treta tem recortes. De classe e de corpo: para quem é gorda, a Shein é o céu. Para quem é gorda e tem pouca grana, um paraíso ainda melhor.

Leia também

A experiência de consumo de mulheres gordas e magras é muito diferente. Imagine que você veste até 42 e foi convidada para ser madrinha de casamento. Você pode entrar em qualquer loja e alugar um modelo que seja a sua cara e caiba no seu bolso. Se esse mesmo convite for feito a uma mulher gorda, ela vai precisar de uma longa peregrinação para achar algo que sirva e essa peça, muitas vezes, tende a ser bem cara. É aí que a Shein entra.

Com modelos até o tamanho 60 para variadas ocasiões e preços acessíveis, a loja é fat-friendly.

foto Mariana Rodrigues: Criadora de conteúdo defende que Shein é escolha possível para mulheres que desejam consumir moda com tendência

“A gente precisa pensar que as mulheres gordas começaram a consumir moda para se expressar, e não só para se cobrir, há pouquíssimo tempo. Então, antes de falar de consumo consciente, temos que entender que mulheres gordas estão ‘tirando esse atraso’, querendo comprar, experimentar modelos, essas mulheres muitas vezes nem sabem seu estilo. Todas as pessoas têm a chance de experimentar roupas ao longo da vida, se você é gorda, essa chance diminui”, fala a fashionista e produtora de conteúdo Mariana Rodrigues que veste 54.

No bolso e no corpo

Toda essa discussão sobre a Shein tem dois pontos. O primeiro é que a Shein tem tendência para todos os corpos e a segunda é que tem modelos que cabem no bolso.

A moda plus size no Brasil está melhorando, crescendo, mas é feita majoritariamente por marcas pequenas, que não têm tanto recurso para pesquisa de tendência, ao mesmo tempo que custam mais caro para o consumidor final.

Ou seja: nem sempre tem o que se deseja, e, às vezes, se tiver, é muito caro para quem quer comprar.

foto Natália: “Shein tem preços que a gente não encontra no mercado brasileiro”

“A Shein oferece o que a gente está precisando: moda com tendência, com um preço que a gente não encontra no Brasil. Acho que quando você não está dentro desse grupo de mulheres gordas, é fácil você condenar. Se a pessoa tem dinheiro para comprar de marcas que respeitam a cadeia produtivo, acho ótimo, mas essa não é a realidade da grande maioria”, diz Natália Moretz-Sohn, influencer gorda e estilista plus size.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos