Quem foi Goebbels, nazista parafraseado por secretário de Bolsonaro

Paul Joseph Goebbels (Foto: Arquivo Federal Alemão)

Paul Joseph Goebbels foi o Ministro da Propaganda da Alemanha nazista de Adolf Hitler e um dos maiores responsáveis pela divulgação das ideias nazistas e da criação da imagem de Hitler como o líder da nação.

O nome do diretor nacional da propagada do partido nazista voltou à tona nesta sexta-feira (17) após um vídeo em que o secretário especial de Cultura do governo Jair Bolsonaro, Roberto Alvim, parafraseá-lo durante um discurso no qual olha diretamente para a câmera, que se aproxima lentamente, enquanto uma ópera de Richard Wagner toca ao fundo.

Confira a íntegra do vídeo:

"A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada", disse o ministro de cultura e comunicação de Hitler em um pronunciamento para diretores de teatro, segundo o livro "Goebbels: a Biography", de Peter Longerich. 

"A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada", afirmou Alvim no vídeo postado nas redes sociais.

O vídeo tem repercutido extremamente mal nas redes sociais e gerou até um pedido de afastamento por parte do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que classificou o episódio como “inaceitável” e completou dizendo que Alvim “ultrapassou todos os limites”.

Após a indignação Alvim foi às redes sociais se justificar. Ele classificou as semelhanças de seu discurso com o de Goebbels como uma "coincidência retórica" mas defendeu que "a frase em si é perfeita".

MAS QUEM FOI GOEBBLES?

Nascido em 29 de outubro de 1897, em Rheydt, Alemanha, Goebbels aderiu ao Partido Nacional-Socialista em 1924. Passados dois anos, foi escolhido por Hitler para ser líder distrital em Berlim e fundou a Der Angriff (O Ataque), jornal semanal nazista.

No papel de diretor nacional de propaganda de Adolf Hitler, Goebbels e sua equipe idealizaram cartazes, filmes e outras formas de diálogo os ideiais defendidos pelos nazistas e a população comum, que até então não havia sido impactada pelo regime.

Em 1933, Hitler tornou-se chanceler da Alemanha e ascendeu Gobbels ao cargo de ministro da propaganda, acirrando a censura e perseguição a jornalistas judeus e outros grupos de oposição. Sob ordens do “Führer”, Goebbels incentivou e organizou boicotes a comércios judeus e, no ano seguinte, incentivou e organizou a queima de livros considerados “não alemães”, pois, para o ministro da propaganda, “a era do intelectualismo judaico extremo chegou ao fim”.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Goebbles enaltecia heroicamente vitórias da Alemanha e convocava a população a combater os inimigos. Em 1943, a pressão do grupo Aliado - encabeçado por Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido e outros países como o Brasil - pela rendição alemã forçou a propagando nazista a assumir o tom de “guerra total”, na esperança de mobilizar todos os recursos - físicos, econômicos e militares - possíveis a fim de garantir a vitória nazista.

Após o suicídio de Hitler, em 30 de abril de 1945, Goebbels foi indicado a substituí-lo na liderança do Terceiro Reich. Ele chegou a exercer o cargo de chanceler por apenas um dia, mas em 1º de maio cometeu suicídio com sua esposa, Magda Goebbels, após envenenar seus 6 filhos.

As informações a respeito da história de Goebbles constam em um artigo publicado por Luisa Rita Cardoso, mestre em História e pós-graduada em Direitos Humanospela Universidade de Coimbra.