Quem é Zozibini Tunzi, a Miss Universo 2019?

Zozibini Tunzi Miss Universo
Zozibini Tunzi recebendo a coroa de Miss Universo (Foto: Getty Images)

Quem disse que o concurso Miss Universo não importa? Verdade, existe muito a se dizer sobre o fato de ainda existir um evento que mede e qualifica mulheres pela sua aparência. Porém, fato é que também vemos por lá histórias que merecem destaque. A de hoje é da miss recém-coroada, Zozibini Tunzi.

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Tunzi foi escolhida dentre as 88 participantes do evento deste ano, a primeira negra a receber a coroa desde 2011, quando a angolana Leila Lopes foi a vencedora da competição. Em seu discurso, o que chamou a atenção foi, principalmente, o fato da miss celebrar que estamos entrando em um tempo em que a beleza das mulheres negras está sendo reconhecida.

Afinal, quem é Zozibini Tunzi? (E porque isso importa)

Aos 26 anos, Zozibini é Relações Públicas. Ativista contra a violência de gênero, ela advoga também em nome da beleza natural das mulheres e as encoraja a se amarem como são.

Uma de três irmãs, nascida em Tsolo, na África do Sul, ela se formou em relações públicas e gerenciamento de imagens na Universidade de Tecnologia da Península do Cabo no final de 2018, e já trabalhava na área quando foi coroada Miss Universo.

Também modelo, ela é participante de concursos de beleza desde 2017, quando foi aceita como uma das finalistas do concurso Miss África do Sul 2017, e, desde então, busca unir a formação com a carreira de modelo.

Para a campanha do Miss Universo, Zozibini se uniu ao HeForShe, uma divisão da ONU Mulheres que incentiva homens a também engajarem na luta pela igualdade de gêneros no mundo inteiro. Durante esse trabalho, a modelo pediu para que homens escrevessem mensagens de apoio às mulheres, que depois foram transformadas em fitas usadas para a sua fantasia nacional durante o Miss Universo.

Aliás, quem assistiu ao programa sabe que, para Zozibini, o concurso têm suas questões, mas é um meio de visibilidade e incentivo importantíssimo para discussões tão profundas quanto às críticas à competição.

"Que toda menina que testemunhou esse momento acredite para sempre no poder dos seus sonhos e que elas vejam os seus rostos refletidos no meu", disse ela, atentando para a importância da representatividade que a sua vitória demonstra.

Aliás, esse é o grande ponto. Em um momento de luta por representatividade tão grande, em que temos Maju Coutinho à frente de um jornal em rede nacional mostrando para meninas negras que é possível, sim, conquistar os seus sonhos, é de fato muito importantes vermos mais uma mulher negra conquistando o seu espaço.

Vale notar, inclusive, que pela primeira vez na história mulheres negras foram coradas nos quatro principais concursos de miss este ano - a primeira vez na história que isso acontece. Nia Franakling é a Miss América, Cheslie Kryst é a Miss USA e Kaliegh Garris é a Miss Teen USA.

Além disso, o que chamou atenção durante a performance da relações públicas foi o seu engajamento com a causa da igualdade de gêneros e luta contra a violência contra as mulheres e, também, a sua consciência sobre o que precisa mudar em termos de educação - especialmente quando se fala na educação de meninas.

"Eu acho que a coisa mais importante é que nós deveríamos ensinar sobre liderança para as meninas de hoje. É algo que tem faltado em meninas e mulheres há muito tempo - não porque nós não queremos, mas pelo que a sociedade rotulou mulheres", disse. "É isso que deveríamos ensinar às meninas - a tomar espaço".