Quem é Maria Firmina dos Reis, primeira escritora negra homenageada na Flip

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A escritora maranhense Maria Firmina dos Reis foi anunciada nesta terça-feira como a homenageada da Festa Literária Internacional de Paraty, a primeira mulher negra a ocupar o posto em 20 edições do evento.

Firmina é reconhecida como a primeira mulher a publicar um romance no Brasil, com "Úrsula", de 1859. Até hoje considerado sua principal obra, o livro é catalisado pelo movimento abolicionista da época —e é possivelmente o primeiro publicado por uma mulher negra na América Latina, segundo o portal de literatura afro-brasileira da Universidade Federal de Minas Gerais.

Há poucas informações sobre a escritora —efeito da invisibilização de sua trajetória, algo recorrente na história literária negra que vem sendo revertido nos anos mais recentes— e as imagens que se existem dela são estimativas feitas após sua morte.

O que se sabe é que Firmina nasceu em São Luís há cerca de 200 anos, filha de uma escrava alforriada e um professor branco num Brasil recém-independente. Foi professora e colaboradora frequente da imprensa de sua época, veiculando um ideário antiescravista e atuando como pesquisadora de culturas orais.

"Úrsula" vem sendo resgatado tanto por pesquisadores quanto por editoras, tendo versões encontráveis por exemplo na Antofágica e na Penguin-Companhia. Publicou em vida também o volume de poemas "Cantos à Beira-Mar", de 1871, e o conto "A Escrava", editado um ano antes da abolição, em 1887.

LEMBRE QUEM FORAM OS HOMENAGEADOS DAS EDIÇÕES ANTERIORES DA FLIP

2021 e 2020: Não houve

2019: Euclides da Cunha

2018: Hilda Hilst

2017: Lima Barreto

2016: Ana Cristina Cesar

2015: Mário de Andrade

2014: Millôr Fernandes

2013: Graciliano Ramos

2012: Carlos Drummond de Andrade

2011: Oswald de Andrade

2010: Gilberto Freyre

2009: Manuel Bandeira

2008: Machado de Assis

2007: Nelson Rodrigues

2006: Jorge Amado

2005: Clarice Lispector

2004: Guimarães Rosa

2003: Vinicius de Moraes