Quem é Marco Ribeiro, o estilista brasileiro que encantou Harry Styles

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O primeiro nome que Harry Styles pensou para encabeçar o projeto de maquiagem de sua marca Pleasing, lançado há pouco, foi o do brasileiro Marco Ribeiro. O ex-One Direction afirmou à Vogue britânica que a escolha foi devido à estética divertida do estilista. Foram, sobretudo, as cores que o atraíram.

Exibida na Semana de Moda de Paris, no fim de setembro, a parceria entre os dois levou à Pleasing uma coleção multicolorida de paletas cosméticas e um moletom que estampa o logo da marca. As carreiras de Ribeiro e Styles, porém, se esbarram desde o ano passado.

O britânico conheceu o brasileiro por meio de seu estilista, Harry Lambert —que o fez viralizar nas redes, em 2020, com um cardigã da JW Anderson que virou moda entre os fãs do músico. Num ensaio da revista britânica Dazed, Styles vestiu um macacão preto de fuxicos brancos e um grande arco vermelho.

Desde então, o cantor vem aderindo a looks do designer. Para a divulgação de "Harry’s House" —seu terceiro disco solo, lançado em maio—, por exemplo, o músico posou com uma calça de retalhos que reúne alguns dos principais traços do brasileiro —visual policromático e figuras geométricas.

Destaque na leva de estilistas contemporâneos, Ribeiro afirma que o uso de retângulos, losangos e círculos em suas coleções tem a ver com os símbolos da bandeira brasileira, mesmo que, segundo ele, a relação tenha brotado de maneira não intencional.

"Sempre agreguei essas formas geométricas ao meu trabalho, mas demorou para eu perceber que fazem parte da bandeira do meu país. Estou mostrando de onde venho sem pôr verde e amarelo", diz ele, num português carregado por um sotaque franco-inglês.

Nascido em Petrópolis, no Rio de Janeiro, o estilista saiu do país há quase duas décadas. Ele se mudou para a Argentina aos 14 anos e, aos 26, migrou para Paris, onde viria a consolidar a carreira no setor.

Segundo Ribeiro, sua identidade brasileira é somada à cultura artesanal europeia. A forte saturação de cor da maioria de suas roupas seriam reflexo de sua veia latina, enquanto o alto uso de retalhos puxa o que chama de um romantismo europeu artesanal.

O tom artesão aparece em vários dos círculos que compõem as roupas do estilista, desde recortes profundos até arcos como o do macacão vestido por Styles no ensaio da Dazed.

Já retalhos como fuxicos —tão marcantes em suas coleções— são inspirados nas memórias brasileiras de Ribeiro. "Trazem a sensação do aconchego que minha avó me dava."

O estilista afirma que, embora tenha entre suas referências a linha orgânica de Lygia Clark e o jogo de cores de Hélio Oiticica, além de experiências individuais, seu vínculo com o país é limitado.

"Tenho até vergonha em falar isso, porque sou negro, gay e latino", diz, enfatizando suas diferenças em relação a parte da sociedade francesa. "Quero conhecer mais o Brasil."

Já faz algum tempo que Ribeiro vem ganhando destaque no setor têxtil, sobretudo o francês, mas, sem dúvidas, sua nova parceria com Harry Styles aumentou o estrelato.

Segundo ele, ainda que o britânico não tenha sido tão atuante no projeto, admira a maneira como o músico vem movendo debates na moda, ao vestir peças como saias e vestidos —culturalmente associadas ao guarda-roupa feminino. Ribeiro, porém, faz uma ponderação.

Diante da pose de homem desconstruído, Styles está, segundo o estilista, embrulhado em privilégios que acabam ofuscados em meio aos tantos elogios que recebe. "Por ser branco, ele recebe muito mais atenção do que famosos como Lil Nas X e Billy Porter, que também quebram estereótipos de gênero —mas, por serem negros, têm uma repercussão diferente."