Quem é a cantora que defendeu o aborto no palco do Primavera Sound

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Marcada por poucas manifestações políticas, a estreia do Primavera Sound em São Paulo reservou, neste domingo (6), um momento para a defesa do aborto no palco em que se apresentava Phoebe Bridgers, um dos destaques internacionais da versão brasileira do festival importado de Barcelona.

Depois de passar por quase todas as músicas do aclamado "Punisher" e de descer do palco para correr perto dos fãs, a cantora entoou "Chinese Satellite", que dedicou ao aborto. "Eu fiz um e deveria ser seguro para todos", disse.

Essa não é primeira vez que a artista se manifesta sobre o assunto -nos últimos dias, um cover de "Iris", da banda The Goo Goo Dolls, que ela fez junto com sua amiga Maggie Rogers, foi disponibilizado para venda, com a arrecadação a ser repassada para pessoas que precisam de abortos seguros.

Ela também dedicou "Graceland Too" para os LGBTQIA+ da plateia e parou o show duas vezes quando pessoas passaram mal. "Ok, legal, obrigada por serem pacientes", ela agradeceu.

Na multidão, boa parte dos fãs fiéis da californiana eram mulheres e LGBTQIA+, que têm o costume de alçá-la ao status de diva do rock.

A cantora de 28 anos ficou conhecida por forjar, já em seu primeiro disco, "Stranger in the Alps", de 2017, histórias baseadas em situações mundanas com maestria e riqueza de detalhes. Anos depois de soltar o disco que ela mesma financiou com o que ganhava com pontas em anúncios de TV e pequenos shows em mercados municipais, ela ascendeu oficialmente com "Punisher" -que rendeu a ela quatro indicações ao Grammy.

A fórmula também é explorada por outras cantoras da safra de rock feminino que despontou nos últimos anos -algumas são amigas próximas, mas Bridgers se destaca com o tom de quem encara a tristeza como um sentimento por vezes cômico e inerente à existência humana.

Criada ao som de músicas que vinham do Laurel Canyon -bairro montanhoso de Los Angeles que virou palco da contracultura norte-americana nas décadas de 1960 e 1970-, ela absorveu algo da franqueza poética e sonoridade folk de Joni Mitchell e a misturou ao emo de bandas como Bright Eyes, que passou a ouvir na adolescência.

Nada, no entanto, a influenciou mais que a vulnerabilidade de Elliott Smith. A faixa que dá nome a "Punisher", aliás, pensa um mundo em que o músico ainda está vivo.