Que seja eterno enquanto dure

Arthur Henrique Chioramital

Um grande amigo terminou o namoro há alguns dias. O cara está sofrendo horrores. Até aí, ok. Normal doer quando o relacionamento acaba e ainda existe afeto, tesão e saudade. O problema é que o sujeito está se sentindo o cocô da mosca do cavalo do bandido por causa do fim de uma história que já se arrastava há meses e variava entre brigas homéricas e desejo de desaparecer e promessas de mudanças que nunca se cumpriam. Aí não dá, né minha gente?

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Afeto é muito importante, mas, sozinho, ele não mantém duas pessoas juntas. A convivência tem que ser prazerosa na maior parte do tempo, os valores tem que ser parecidos e as pequenas coisas que fazem parte do dia a dia devem ser motivo de riso, não de atrito. Porque é nos detalhes que construímos os relacionamentos e é neles que a maioria dos relacionamentos desmorona.

Uma coisa é sentir a falta do outro. Outra, completamente diferente, é se achar a pior das mortais por causa do rompimento. Não dá para carregar sozinha toda a responsabilidade pelo término. Da mesma forma que não daria para carregá-la em caso de sucesso. Então, querida, controle o ego e trate de dar para cada um a parte que lhes cabe nesse latifúndio.

Aí você pensa “eu poderia ter encarnado a donzela inocente e sido mais compreensiva ou paciente e não criar tanto caso com todos os defeitos e manias dele que me irritavam a ponto de eu querer acertar o sujeito com uma cadeira”. Sim, do mesmo jeito que ele poderia ter encarnado o príncipe encantado mais vezes, de preferência um parecido com o Richard Gere com direito a limousine branca e tudo. Então para de sofrer à toa porque ninguém deve nada a ninguém. Negociar, fazer concessões e ceder fazem parte do jogo. Mas abrir mão das coisas a ponto de se sentir agredida é demais. Ninguém merece isso e se o relacionamento de vocês fosse saudável não seria preciso chegar tão longe.

Ok, a química entre vocês era incrível. O beijo do cara amolecia suas pernas. Ele sabia extamente como te fazer subir pelas paredes. Agora ele se foi e a ideia de nunca mais se deparar com um amante tão bom te atormenta. Dois tons a menos, por favor. Primeiro porque o sujeito não tinha o membro de ouro. Depois, como diria Madonna, what happens when you're not in bed (o que acontece quando você não está na cama)? Porque ele mandar bem é importante, mas não é o bastante para sustentar um relacionamento.

Tudo bem, às vezes a gente pisa feio na bola e merece o pé na bunda. Aí, só nos cabe fazer o mea culpa, enfiar o rabo entre as pernas e torcer para ser perdoado, quando ainda há interesse, ou partir para outra, se a vontade de ir for maior do que a de ficar. Se for esse o caso, bora correr atrás do prejuízo e tentar reverter o quadro. Mas sem perder a noção.

Nada de sair por aí perseguindo o ex e deixando um milhão de mensagens na caixa postal. Ligar sem parar para o escritório também não é uma boa. Esperar na saída do expediente não é uma opção. Mandar flores para a firma JAMAIS (melhor deixar para lá qualquer coisa que envolva o trabalho dele, ok?). Homem ODEIA se sentir acuado (na verdade, todo ser humano emocionalmente saudável tem pavor de ser encurralado) então não sufoque o sujeito. Marque posição, mas deixe espaço para que ele decida. Se ele estiver a fim ele vai dizer. Homens não fazem doce. Isso não faz o menor sentido para a gente.

Em todos os casos, quando a ficha cai e a gente se vê em casa em uma noite de sábado rodeado apenas por farelos de amandita, vale a pena ter em mente que as manias e péssimos hábitos do sujeito ainda estáo lá. Basta raspar a tinta dourada que cobriu todas as lembranças de vocês dois de um dia para o outro e você vai vê-los. Talvez não acabe com a dor, mas ajuda a reunir forças para não abrir mais um vidro de nutella.