Quatro pessoas são presas na Turquia por 'desonrar' valores do Islã em obra de arte

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Bandeira arco-íris, símbolo do movimento LGBT

A polícia turca prendeu quatro pessoas após a exposição, em uma universidade de Istambul, de uma obra de arte que representa a Kaaba, o lugar mais sagrado do Islã, e que a Turquia considerou ofensiva, disseram as autoridades neste sábado (30).

Os quatro presos foram acusados de "desonrar abertamente os valores religiosos adotados por parte do público", explicou o gabinete do governador de Istambul.

A polícia buscava outras duas pessoas, acrescentou a fonte, descrevendo a obra de arte como um "ataque feio" ao Islã.

O ministro do Interior turco, Suleyman Soylu, disse em um tuíte neste sábado que "quatro transviados LGBT" (lésbicas, gays, transexuais e bissexuais) foram detidos, um comentário que causou polêmica nas redes sociais.

A obra, que segundo a governadoria de Istambul também incluía uma bandeira do arco-íris - um símbolo associado à comunidade LGBT - foi exposta na sexta-feira em frente à reitoria da Universidade de Bogazicy, de acordo com a governadoria.

A "falta de respeito" demonstrada para com a Kaaba diz respeito a tudo "exceto a liberdade de expressão ou o direito de manifestação", tuitou o porta-voz do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, Ibrahim Kalin, neste sábado, prometendo que "esta aberração será punida com a sanção prevista em lei ".

A Universidade de Bogazicy tem sido palco de protestos nas últimas semanas contra a nomeação do novo reitor, Melih Bulu, por Erdogan, que os manifestantes dizem ter motivação política.

No início deste mês, o presidente turco acusou alguns dos manifestantes de "terroristas".

Embora a homossexualidade seja legal na Turquia, os homossexuais costumam ser perseguidos. Nos últimos anos, vários eventos LGBT, como a parada do Orgulho Gay de Istambul, foram proibidos.

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