#VidasNegrasImportam e posicionamento: devemos escolher influenciadores melhores

Acompanhar um influenciador que só vende a ideia de uma vida perfeita e não se posiciona parece sem sentido no mundo atual (Reprodução/Instagram)

Uma muda de casa. A outra faz fotos na rua tirando a máscara do rosto para a selfie. E tantos outros se mostram alheios ao que está acontecendo no mundo agora. A pauta de questionar o verdadeiro papel dos influenciadores parece mais importante do que nunca. De Boca Rosa, passando por Bianca Venturotti e tantos outros, precisamos mais uma vez colocar em xeque o quanto pessoas com relevância nas redes sociais devem considerar o contexto ao se expressarem online. 

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A verdade é que estamos lidando com muitas coisas. Há uma pandemia de um vírus ainda sem cura lá fora. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos os protestos contra a violência policial contra pretos cresce a cada dia - e já começou a despontar por aqui também, uma resposta ao assassinato do menino João Pedro e de tantos outros negros que morrem diariamente. Ao mesmo tempo, manifestações pró-democracia e antifascismo têm ganhado corpo no Brasil. 

Diante disso tudo, quem são os influenciadores? 

Fato é: sair de casa sem que haja verdadeira necessidade ainda não é recomendado, e a obrigatoriedade do uso de máscara em espaços públicos segue válida. Por mais que, nesta segunda-feira (1º) o estado de São Paulo entre no seu projeto de reabertura gradual, pouco se sabe o que vai acontecer daqui para a frente. 

Quando se fala em atividades físicas, elas podem acontecer ao ar livre, desde que todas as medidas de segurança contra o contágio sejam tomadas - sendo a principal delas o distanciamento entre pessoas ao praticar corridas, caminhadas ou andar de bicicleta / skate. Mas não é o que temos visto no Brasil afora.

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Mudar de casa também é o tipo de coisa que, considerando o contexto, talvez pudesse ser adiado. Envolve uma série de pessoas e movimentações, um entra e sai, um sobe e desce de elevador que, de novo, considerando a pandemia, não parece o ideal - ainda mais quando a pessoa em questão faz de tudo para mostrar o processo passo a passo nas redes sociais ou através de lives. 

Mas talvez o principal seja ignorar causas que, no momento, estão tão latentes. Não à toa, Felipe Neto reforçou o seu pedido por posicionamento nas redes sociais, primeiro cobrando uma posição do jogador Neymar sobre o movimento #VidasNegrasImportam e, depois, explicando que esse não era o seu lugar, mas que continuaria buscando no jogador uma posição sobre outros assuntos. 

Muito se tem falado sobre a importância de unirmos as vozes em prol de um país melhor - até mesmo de um mundo melhor. E em um momento de tamanha ebulição social e política, diante de uma crise sanitária seríssima, será que o ideal é mesmo seguir com as postagens como se nada estivesse acontecendo? 

É claro que todo mundo está lidando com uma situação totalmente fora do comum, mas ignorar o que tem acontecido, demonstrar pouco cuidado em relação as recomendações das organizações mundiais de saúde e, também, não se manifestar sobre questões tão importantes e sérias como o movimento #VidasNegrasImportam parece um sinal. 

É o momento de escolhermos melhor quem são as nossas influências 

Se aprendemos qualquer coisa com o caso Gabriela Pugliesi é que damos atenção para as pessoas por uma questão de conexão, de identificação. Se essa identificação não se faz mais presente, o unfollow é muito bem-vindo. 

Mas esse unfollow não precisa acontecer apenas quando o influenciador em questão pisa na bola. Na verdade, o que o contexto atual tem nos mostrado é como é essencial colocar em xeque e, acima de tudo, pesquisar a fundo quem são as pessoas que estamos elegendo como influências.  

Não estamos falando aqui da cultura do cancelamento, afinal, Anitta tem demonstrado, por mais que seja com certo atraso, uma vontade de aprender sobre as questões que sempre lhe foram cobradas e tem, inclusive, compartilhado esse processo com os seus seguidores. 

O chamado à ação de Felipe também parece ter surtido certo efeito, e foram muitos os influenciadores que começaram a demonstrar mais avidamente suas posições políticas e seu apoio às causas que tem chamado atenção agora.  

A natureza de um influenciador é influenciar, de alguma forma, o seu público, ajudá-lo a formar uma opinião sobre um assunto, gerar uma relação de confiança de forma que, quando ele fala, as pessoas acompanham e apoiam a sua posição porque se sentem representadas. Se essa influência para em produtos de beleza, coleções desenvolvidas em parcerias, publiposts ou ilustrar uma vida perfeita online, talvez seja o momento de, enfim, desconectar.