Quarentena de Coronavírus: morar junto e trabalhar de casa dá certo?

O homeoffice forçado pede adaptações, mas pode ser visto por um viés positivo (Foto: Getty Creative)

O conceito de homeoffice não é novo, mas com a pandemia de Coronavírus, se tornou uma realidade forçada para muita gente. Principalmente para quem nunca teve a experiência de trabalhar em casa, essa nova dinâmica pode apresentar uma série de adaptações, mas também pode ser vista de forma positiva.

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Michelli Buzogani é designer e trabalha em uma startup. Para ela, o homeoffice é lugar comum, já que 99% do trabalho é feito de casa. Há mais ou menos um ano, ela e o marido, João Monteiro, consultor em cyber risk, trabalham em regimes diferentes - ele vai ao escritório e, com os novos direcionamentos de segurança, vai passar 15 dias também em homeoffice. 

"Acordamos juntos, cada um prepara seu café da manhã e logo estamos sentados, cada um no seu lugar, fazendo o que precisamos", explica ela ao Yahoo. “Em caso de reuniões simultâneas, a gente se divide entre os cômodos da casa para não atrapalhar, usando sempre fones. Quando ligamos áudio/câmera, um avisa o outro pra não acontecer nenhum imprevisto, como passar alguém atrás fazendo alguma coisa, ou chegar dando beijo no meio da call." 

Aliás, Michelli levanta um ponto importantíssimo. Para quem nunca trabalhou de casa antes, começar esse período de quarentena conversando sobre as respectivas dinâmicas profissionais é essencial para evitar um estresse adicional. É importante manter a rotina o mais próximo do normal possível - com horários de trabalho fixos, pausa para o almoço, etc. -, mas isso só é possível se os dois tiverem conhecimento da rotina um do outro ou das demandas que surgirão nesse período, como reuniões extras e telefonemas prolongados.

"Trabalhamos na mesma empresa um ano atrás", continua a designer. “Por conta disso, era 100% do tempo juntos, até nas reuniões mensais presenciais estávamos lá, apesar de trabalharmos em áreas diferentes. Foi uma delícia! Tanto que, agora, estou aproveitando o máximo dessa situação toda. A única coisa que tínhamos que tomar cuidado é que trabalho poderia virar o tema de todas as conversas, então, a gente se policiava para falar de outras coisas", conta. 

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Mais uma dica essencial para o período: lembrar de resumir as conversas sobre trabalho para o horário de trabalho para evitar a monopolização do tempo por um único assunto - isso acontece principalmente se o os dois lados trabalham em áreas iguais.

Para Marcela Fabreti, produtora de boardgames, a situação é um pouco diferente. Ela, que trabalha fora, mas em uma empresa bastante maleável, já conhece a dinâmica de homeoffice da época em que era freelancer, porém raramente adota a prática por conta das necessidades do dia a dia. "O único problema é que meu trabalho é feito em equipe, e estarmos em lugares diferentes significa que o diálogo entre nós acontece mais lentamente", diz. 

Esta será a primeira vez que a produtora e o noivo, Euclides Ribeiro, vão trabalhar juntos de casa. Apesar da dinâmica tranquila e de os dois morarem juntos há muito tempo, o desafio está em, justamente, conciliar as rotinas no mesmo ambiente. Euclides é professor e dará aulas online durante esse período de quarentena. 

"É muito fácil só se distrair e perder a hora conversando. Eu gosto de trabalhar ouvindo música, já ele é professor e vai dar aulas online. Precisamos nos organizar de forma que o trabalho de um não atrapalhe o do outro", explica. 

Existe um lado positivo no homeoffice forçado? 

O momento é de atenção máxima e de pensar duas vezes sobre qualquer necessidade de sair casa. No entanto, é possível ver a quarentena pelo lado positivo.

"Se considerarmos o tempo que gastamos no transporte público, é como se ganhássemos uma ou duas horas a mais no dia", diz Marcela. “Podemos aproveitar mais as manhãs antes de começarmos a trabalhar, e o fim de tarde depois de terminarmos. Vai ser um momento oportuno para fazermos as coisas que queremos, mas não conseguimos por falta de tempo."

Michelli, que espera o primeiro filho ao lado do marido, também vê a oportunidade como uma forma de aproveitar mais a gestação ao lado dele. "Dá pra dormir um pouco mais e aproveitar pra ficar mais tempo junto de quem a gente gosta. Carinhos ao longo do dia, um faz uma comidinha pro outro, traz uma água, dá um abraço. Quer coisa melhor?", comenta. 

Mesmo com a situação preocupante do lado de fora, é preciso notar a importância de aproveitar as oportunidades para aprofundar o relacionamento a dois - ou quem você mora - e estreitar esses laços. Para Michelli, essa é, sim, uma forma de ver essa fase: "A convivência é uma coisa que faz a gente aprender todo dia. A pessoa às vezes fica brava por uma coisa ou outra, fica nervosa, e a gente pode ajudar a acalmar, e vice versa. Afinal, todo trabalho tem seus problemas, né? Mas, para mim, o melhor mesmo é poder ficar juntinho mais tempo". 

Marcela acredita que os dias podem ser muito mais proveitosos, tanto profissionalmente, quanto no âmbito pessoal, por conta dessa proximidade. E porque não tirar máximo proveito de uma situação forçada? "Nós com certeza vamos aproveitar mais a companhia um do outro! É sempre bom podermos passar mais tempo juntos.", finaliza.