'Quanto Mais Vida, Melhor!' aposta em comédia e música para propor fuga da realidade

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma novela solar, divertida e alto-astral. É assim que Giovanna Antonelli, 45, define "Quanto Mais Vida, Melhor!", comédia romântica com toque musical que estreia nesta segunda (22) na Globo, na faixa das 19h, pondo fim ao período de reprises nos principais horários de teledramaturgia da emissora.

A crise provocada pelo coronavírus, porém, ainda deixa reflexos. A nova trama vai ao ar já praticamente toda gravada, o que dá pouca margem para alterações no rumo de personagens e histórias que possam, porventura, não conquistar o público.

Um dos primeiros desafios se apresentou a poucos dias da estreia, com a morte em um acidente aéreo da cantora Marília Mendonça e de outras quatro pessoas, no dia 5 de novembro. "Quanto Mais Vida" começa justamente com uma queda de avião em que os quatro protagonistas morrem, mas ganham uma segunda chance para repensarem suas vidas e escolhas.

"É uma fatalidade. A vida escreve roteiros ruins", diz Mauro Wilson, que assina pela primeira vez como autor titular de uma novela. Ele diz, contudo, que seria impossível tirar o desastre da história e reforça que a trama fala sobre a vida.

"O acidente é retratado simplesmente como um gatilho para que eles possam voltar à vida de uma forma melhor", acrescenta o diretor Allan Fiterman. O que eles puderam fazer, ele destaca, foi não veicular as propagandas da trama que abordavam o acidente.

Outra alteração, mas essa muito anterior à estreia, foi no próprio nome da novela, inicialmente batizada de "A Morte Pode Esperar". "Mas, depois da pandemia, a gente não viu nenhuma graça em usar esse nome", afirma Allan. "A novela foi encaminhada para outro lado, de segunda chance, de que a gente pode aproveitar a vida da melhor forma possível", defende.

Elenco, autores e diretores prometem que "Quanto Mais Vida, Melhor!" será um escapismo à dura realidade brasileira dos últimos tempos. "É uma novela muito solar, muito divertida. E acho que é isso que todos estão querendo ver, está todo o mundo precisando dessa energia no ar", reforça Giovanna Antonelli.

A atriz interpreta a empresária Paula Terrare, uma das personagens que morre no acidente e volta à vida ao ganhar uma nova oportunidade dada pela Morte. Interpretada pela atriz A. Maia, ela avisa o quarteto que um deles vai da fato morrer no prazo de um ano.

Ao lado de Paula nessa experiência surreal estão o jogador de futebol Neném (Vladimir Brichta), a dançarina de pole dance Flávia (Valentina Herszage) e o médico Guilherme (Mateus Solano). A partir do acidente, os quatro vão formar uma conexão. Uma das novidades que a novela traz é que, semanalmente, os protagonistas vão estrelar um clipe musical, cantando músicas inéditas feitas especialmente para a trama.

Também haverá relacionamentos amorosos entre eles. Paula, por exemplo, vai ficar obcecada por Neném e não medirá esforços para conquistá-lo. Por outro lado, o público vai saber logo no início que o jogador tem uma história mal resolvida com Rose (Bárbara Colen), mulher de Guilherme.

Machista e arrogante, o médico vai tentar salvar o casamento ao ganhar uma nova chance de viver. Mas ele também vai se envolver com Flávia, em uma relação definida pela atriz como de "gato e rato" --os dois, aliás, irão repetir a parceria de "Pega Pega" (2017), antecessora de "Quanto Mais Vida" na faixa das 19h, onde interpretaram pai e filha.

"A gente tem tido esse desafio de se reinventar, fazer uma nova relação, com novos personagens, e a gente se jogou muito. A gente entrou completamente e espera que o público também receba como uma novidade, como uma outra história", diz Valentina sobre a parceria com Mateus. Para a atriz, "Quanto Mais Vida, Melhor!" é uma novela que fala sobre empatia e amor.

A trama tem ainda o desafio de melhorar a audiência da Globo, que tem enfrentando dificuldades com suas novelas inéditas ("Um Lugar ao Sol" e "Nos Tempos do Imperador") após um período longo de reprises.

A reapresentação de "Pega Pega", contudo, não decolou. Em suas duas últimas semanas de exibição, a novela registrou média de 22 pontos de audiência na Grande São Paulo, bem abaixo da então inédita "Salve-se Quem Puder", que marcou média de 29 pontos em sua última semana, em julho (cada ponto na região equivale a 76.577 lares).

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