Qual assunto deveria ser proibido na ceia de Natal em família de 2020?

Lucas Pasin
·3 minuto de leitura
senior woman wearing Santa hat standing in front of Christmas tree with her adult daughter
Passar o Natal em família em 2020 já é um privilégio (Foto: Getty Images)

A ceia de Natal em família vem rodeada de tradições. Não, não estamos falando da união entre os familiares, a fartura na comida ou as piadinhas daquele tio sobre o ‘pavê ou pacumê’. Os encontros em volta da mesa normalmente também são carregados de perguntas, muitas delas que geram ansiedade e que deveriam ser, definitivamente, extintas em 2020, um ano em que terminamos esgotados emocionalmente.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 minuto e receba todos os seus e-mails em um só lugar

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Google News

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Instagram, Facebook e Twitter

“E as namoradinhas?”, “E a dieta?” e “Ué, ele não passou de ano na escola?” são algumas dessas perguntas que costumam provocar uma imensa ansiedade e chance de irritabilidade, quebrando qualquer ‘clima natalino’ e de amizade, algo que precisamos muito para encerrar o ano com uma sensação de acolhimento após tanto medo por conta da pandemia de Covid-19 e suas consequências.

Leia também

Bruno César Souza, psicólogo comportamental e fundador do Instituto Viver, destaca a importância de entendermos esse esgotamento que 2020 proporcionou para que a ceia familiar não termine em desavença e ansiedade. Qualquer ‘brincadeirinha’ pode atrapalhar o clima.

“Entender que seus familiares estão emocional e psicologicamente cansados ajuda a ter mais cuidado com as brincadeiras sem graça, com os assuntos delicados. Coisas que normalmente são relevadas em reuniões familiares, podem esse ano ser o gatilho para brigas sérias. Tenho visto um nível de exaustão emocional nas pessoas que as deixa por um fio para crises, choros e acessos de raiva. O que na verdade é um acumulado de tantas emoções difíceis ao longo desse ano”, destaca.

Empatia é a regra de ouro:

Para o psicólogo, a regra de ouro é a empatia. Temos que lembrar que nem todos passaram por 2020 com o mesmo problema ou encarando a pandemia da mesma maneira. Alguns sofreram demais com as consequências da doença e sabem que não foi ‘só uma gripezinha’.

“Se alguém estiver contando sobre uma dificuldade que possui em uma área, não pense imediatamente como você se sai nesta mesma situação, mas pense em algo que seja também difícil para você. Aí sim conseguirá acessar o sentimento do outro, independente de qual seja a situação que causou isso nela”, aconselha Bruno. Ele exemplifica: “Alguns tiveram dificuldades com o peso, fazer exercício, escola dos filhos, trabalho e relacionamentos amorosos”.

Evite julgar as escolhas de seus familiares

Em especial para o fim de 2020, é importante deixar qualquer julgamento de lado. Esse foi um ano sobre ‘sobreviver’ para a maioria de nós. Ouvir e acolher pode ajudar a manter a harmonia da ceia de Natal.

“Nós sabemos que não estivemos no nosso melhor, mas foi o que conseguimos. Ter que dar satisfação sobre escolhas e caminhos pode ser ainda mais difícil ao final de um ano como esse. Se tiver interesse em ajudar o outro, ofereça ajuda, mas não conselhos e análises. Se proponha a assumir algumas partes do peso. Caso não tenha vontade, tudo bem. Mas já servirá para perceber que se não é capaz de ajudar, ao menos não precisa julgar”, aponta o psicólogo comportamental.

Merry Christmas! Happy family are having dinner at home. Celebration holiday and togetherness near tree.
Empatia é a palavra de ouro para o Natal em família (Foto: Getty Images)

Estar em família é um privilégio

Algo importante para lembrar neste Natal é que muitas famílias não poderão se reunir por conta da Covid-19. O distanciamento ainda se faz necessário e parentes que moram longe estão impossibilitados de viajar. Portanto, estar em família é sim um privilégio.

“Se pensarmos que nos aproximamos de 200 mil mortos, e a morte de cada um desses afeta significativamente mais quatro ou cinco pessoas, temos mais de um milhão de brasileiros lidando com a morte causada pela pandemia”, analisa Bruno César, que completa: “Tenha o momento com a sua família como um momento de gratidão por estar vivo e cercado das pessoas que ama. Se for possível, mantenha sua noite de natal um pouco distante das notícias sobre a pandemia, sobre a economia e sobre a política. Elas estarão lá no dia seguinte para você pensar nelas. Durante a noite apenas esteja com seus familiares e aproveite a oportunidade.”