Qual a fórmula do sucesso recordista de "Bridgerton"? Especialista em fãs explica

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Imagem de "Bridgerton". Foto: Divulgação/Netflix

Resumo da notícia:

  • Qual a fórmula do sucesso recordista de "Bridgerton"? Especialista em fãs explica

  • Em conversa com Yahoo!, Priscila Santiago analisa o que move o fanatismo por uma trama

  • Sacadas de Shonda Rimes pode ser responsável pela audiência da série de época

Com um sucesso indiscutível, a série "Bridgerton" voltou a bater recorde de audiência com a estreia da segunda temporada. Segundo o The Hollywood Reporter, a produção acumulou 193 milhões de horas assistidas em todo o mundo nos três primeiros dias, o que indica o maior índice para qualquer série da Netflix em inglês nesse início. Apenas a série espanhola "La Casa de Papel" obteve um número maior com o lançamento da quinta parte, exibida por 201 milhões de horas nos primeiros dias.

Adaptada da série de livros de Julia Quinn, a trama de época virou uma obsessão mundial com um fanatismo surreal de quem gosta da história. Mas o que explica esse domínio da produção no universo do streaming? Em conversa com o Yahoo!, Priscila Santiago, mestre com pesquisa sobre cultura dos fãs, analisou os fatores determinantes para o perfil de um fã de "Bridgerton".

"Um detalhe que foi interessante é que a Shonda Rhimes, produtora responsável por essa adaptação, foi muito perspicaz quando trouxe elementos que a gente vive na nossa atualidade com o tom do enredo de época. Temas como machismo, empoderamento feminino e racismo", reflete. "A grande sacada de transformar personagens da nobreza em personagens negros na série, o que não se viu na trama dos livros que, na época, não seria possível, já são fatores muito importantes para que a série faça sentido e faça muito sucesso", completa.

Para Priscila, o fato da série ser uma adaptação de obras literárias pode ser vantajoso para a audiência consolidada. "O que a gente pode destacar como uma espécie de fórmula para o sucesso seria que esses filmes ou séries [adaptados] já tiveram uma base fidelizada de fãs, que vem para assistir à essa adaptação cheios de teorias, expectativas, ávidos por dar um rosto para os personagens que eles já gostavam tanto, casal que eles já acompanhavam, as cenas emocionantes que já tinham lido no livro", explica.

Ela ainda ressalta que a obra adaptada de uma trama tem vantagem porque o público já conhece a história e já vai conferir a produção pronto para divulgá-la. "Ele [] quer que outras pessoas assistam, quer fazer comentários, mas também é um público mais exigente, que vai fazer comparações com a trama original. Mas se os produtores souberem dialogar com as expectativas, eles vão conseguir desenvolver produtos muito bons que são adaptados", completa.

Sobre o conceito de fanatismo, Priscila explica que, hoje em dia, o fã é visto como um agente importante no consumo e na disseminação de conteúdo. "Uma característica que é muito marcante dos fãs é essa questão de querer prolongar experiências. Eles se tornam especialistas em determinados assuntos, porque eles não estão contentes em apenas consumir aquilo que é dado", diz.

"Se existe uma série, um livro, uma banda, eles não são aquele consumidor regular, que vai gostar e achar bacana. Eles vão buscar mais informações, curiosidades, vão atrás dos produtores de uma série, dos escritores dos livros, da vida pessoal dos artistas. Eles passam a produzir conteúdo para o seu próprio fandom, pares de outros fãs", pontua. "E são pessoas que são muito engajadas na redes sociais, nas mídias, estão presentes em diversas plataformas e procuram bastante artifícios para consumir mais daquilo que gostam", continua.

Por fim, Priscila também enxerga o envolvimento de um fã em uma trama como uma válvula de escape de sua realidade. "É o envolvimento com o universo que é completamente diferente da realidade. É uma forma da pessoa fugir um pouco disso, se conectar com outros personagens, com outra trama. Ser fã é uma válvula de escape dos problemas da vida real, dos compromissos, das obrigações. É uma entrega, um sentimento muito puro, muito genuíno. É uma emoção muito diferente", afirma.

Vale lembrar que "Bridgerton" é ambientada no século XIX e conta a história de uma família aristocrata inglesa marcada por uma rede de luxúria e traições. Na segunda temporada, o Lord Anthony Bridgerton (Jonathan Bailey) busca por uma esposa ideal quando Kate Sharma (Simone Ashley) e sua irmã mais nova Edwina Sharma (Charithra Chandran) chegam da Índia e a missão acaba sendo corrompida. Confira o trailer:

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