Tem um motivo pro público rejeitar tanto os participantes do 'BBB 21'

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Karol Conká foi uma das grandes
Karol Conká foi uma das grandes "vilãs" do 'Big Brother Brasil 21' e recebeu mais de 99% de taxa de rejeição do público. (Foto: Reprodução/ 'BBB21')

Neste texto, você encontra:

  • Porque alguns participantes do 'BBB 21' foram tão rejeitados;

  • Como essa rejeição se relaciona a uma mudança de posicionamento do público;

  • O que essa mudança de posicionamento pode significar.

Nego Di foi um dos primeiros participantes do 'Big Brother Brasil 21' a ser eliminado. Parte do chamado "gabinete do ódio", recebeu um índice de rejeição altíssimo do público: 98,76%. Até então, o número foi um recorde para a história do programa. Não durou muito. Algumas semanas depois, Karol Conká foi a eliminada da vez, com surpreendentes 99,17%. Por fim, veio ele, Projota, que também deixou o programa com mais um número alto de votos: 91,89%.

De fato, essa edição do 'BBB 21' é histórica. Primeiro, porque acontece no meio de uma pandemia. No ano passado, a edição de Babu Santana e Manu Gavassi foi vista como uma ótima distração para um momento em que ninguém sabia ainda muito bem o que estava acontecendo. Esse ano, veio com a expectativa de ser um respiro para uma situação que, há tempos, era caótica. Doce ilusão. O 'BBB 21' virou quase um show de horrores, com demonstrações de falta de empatia, racismo, xenofobia e até intolerância que atingiram patamares tão assustadores que muitos usuários do Twitter preferiram deixar o programa de lado para poupar a saúde mental.

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Por outro lado, os altos índices de rejeição são uma clara demonstração de que, quem topou continuar assistindo o 'BBB 21' está amplamente engajado. E isso é uma boa notícia. Não só para a audiência do programa, que, com certeza, recebe os devidos louros, mas porque demonstra um novo posicionamento que vimos crescer no último ano do Brasil.

Vamos combinar, não tem sido fácil ser brasileiro. Com o sistema de saúde pública à beira de um colapso, um presidente claramente mais interessado em governar para si próprio do que para o povo e a economia desastrosa, não há saúde mental que aguente. No entanto, é preciso dar o braço a torcer para afirmar que a pandemia trouxe o que, talvez, demorasse muito tempo para acontecer por aqui: uma necessidade de posicionamento brutal contra as injustiças que vivenciamos todos os dias.

Seja em relação a uma das maiores influencers brasileiras, seja por conta do comportamento de famosos dentro de uma casa televisionada, o que essas taxas de rejeição demonstram são uma mudança na aceitação ao pensamento extremista. E isso, muito possivelmente, não está reservado apenas ao pessoal do Twitter, sempre tão engajado nos mutirões de votação. O 'BBB 21' é um programa que alcança muita gente no país inteiro e algumas delas, provavelmente, nem redes sociais têm.

Mas, mesmo dentro da bolha pessoal de cada um, é possível perceber uma mudança significativa. A exclusão de alguém por pura implicância, falta de empatia e compreensão, não cai bem. Xenofobia com pessoas do mesmo país, não vai bem. Machismo escancarado, passando a linha do ofensivo, não vai bem mesmo. E, não, a internet não tem esquecido os erros passados. Afinal, o Brasil é uma completa história esquecida de ações e atitudes que nunca foram, não tem ido e nunca irão bem.

É ingênuo pensar que tudo está resolvido porque a taxa de rejeição aos participantes malquistos do 'BBB' está altíssima. Mas é um sintoma. No atual paredão, que aconteceu na noite de terça-feira (29), tivemos mais uma briga boa nesse sentido: Rodolffo e Sarah. O primeiro, fez comentários homofóbicos e chegou a comentar que, em agosto do ano passado, deu uma festa para até 15 pessoas no dia do seu aniversário enquanto apresentava sintomas de gripe. Dias depois, ele contou aos fãs que fora diagnosticado com COVID-19.

Sarah, por outro lado, começou como uma grande protagonista do programa, com suas táticas de espionagem engraçadíssimas e a esperteza em relação ao jogo. Os tuítes com elogios, no entanto, expiraram rapidamente. Pouco tempo depois ela começou não só a expor o apoio ao presidente Jair Bolsonaro como a comentar, mais de uma vez, que foi a festas durante a pandemia - inclusive, disse que recebeu a ligação de que foi aceita no 'BBB' enquanto estava na balada. Tudo isso quando a pandemia começava a escalar muito por aqui. Disse que os protocolos de saúde eram "frescura", fez chacota do uso das máscaras e até das vítimas da doença. Falou ainda, durante uma festa no programa, que não fez isolamento social e que "não estava sentindo nada", por isso não viu problema nas suas ações.

Em resumo: a briga foi grande, mas alguém teve que sair primeiro. Isso, pelo menos, é um fato que o 'Big Brother' já deixou claro: tirar rápido, e com uma demonstração clara de desagrado, os participantes que têm demonstrado comportamentos e atitudes que são absolutamente não empáticos com o momento em que vivemos ou com seus colegas de confinamento. E, sendo francos, é complicado brigar por alguém que faz questão de dizer que não se preocupa com uma pandemia quando o Brasil já soma mais de 300 mil mortos e só o estado de São Paulo bate recorde de óbitos diários.

De fato, votar para eliminar um participante do 'BBB' não resolve coisa alguma num país política e economicamente caótico, mas é um demonstrativo de que algo anda diferente. Se nem mesmo os famosos têm recebido a conhecida "passada de pano" e a internet se recusa a esquecer quem falou ou fez o que não devia em tempos de pandemia, podemos esperar, no mínimo, que as votações "de entretenimento" que vemos agora, sejam um pequeno spoiler do que pode acontecer, em escala muito maior, em 2022 nas urnas eletrônicas. É mirar alto? Talvez, mas basta uma olhada rápida nas taxas de rejeição e nos discursos dos seus donos dentro da casa para somar dois mais dois.

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