PT aciona Ministério Púbico para investigar possível atraso de Doria em recuo do Plano SP

FÁBIO ZANINI
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O deputado estadual Paulo Fiorilo (PT-SP) acionou o Ministério Público para investigar o governador João Doria (PSDB) por possível atraso para anunciar que o estado todo retrocederia à fase amarela do Plano SP. Essa demora, segundo a solicitação de Fiorilo, poderia estar relacionada a interesses do tucano na disputa eleitoral na capital, onde seu aliado Bruno Covas (PSDB) disputava o segundo turno contra Guilherme Boulos (PSOL). Caso comprovada, a eventual omissão do governador poderia ser entendida como improbidade administrativa. O governador anunciou o enrijecimento das medidas sanitárias um dia após a vitória de Covas em São Paulo, na segunda (30). Indícios como a alta de internações em hospitais públicos e privados já apontavam para o agravamento da pandemia havia vários dias. "Atrasos têm consequências funestas. Nas próximas semanas, paulistas e paulistanos descobrirão qual o preço, em infecções e óbitos, de ver o poder público procrastinar medidas sanitárias inevitáveis. A gestão irresponsável do governador João Doria, mais alinhado com os números da pesquisa eleitoral de seu apadrinhado Bruno Covas na capital paulista do que com os números de ocupação dos leitos de UTI, terá consequências graves para a população do estado", diz Fiorilo na representação. Com a fase amarela, a ocupação dos estabelecimentos ficou limitada a 40%; o funcionamento voltou a ser de dez horas por dia, com limite de horário até as 22h; e eventos com público em pé foram proibidos. A capital encontrava-se na fase verde, a mais branda em termos de restrições, assim como as regiões de Campinas, Sorocaba e Baixada Santista, totalizando 76% da população do estado. O restante de São Paulo permanece na fase amarela. Com a queda no número de casos em setembro, as atualizações do Plano São Paulo, que eram feitas a cada duas semanas, passaram a ser mensais. No entanto, a atualização que deveria ter sido feita em 16 de novembro foi adiada para depois do segundo turno das eleições. Na ocasião, o governo tucano interrompeu uma série de progressões de fase que vinha promovendo e, sem admitir a deterioração do quadro, alegou que a interrupção se devia à instabilidade no sistema do Ministério da Saúde —ocorrida na semana anterior— , que poderia trazer distorção aos dados e algumas cidades poderiam migrar para a fase verde de maneira equivocada. Em entrevista coletiva nesta quarta (3), Doria chamou de mentirosas relações traçadas entre calendário eleitoral e a programação do governo. "A classificação do Plano São Paulo, que aconteceria antes das eleições, foi cancelada exatamente para evitar que 90% da população do estado fosse para a fase verde. Essa foi a orientação do centro de contingência do Covid-19. E todas as recomendações feitas pelo centro são rigorosamente obedecidas pelo governo de São Paulo", disse. "Não houve, não há e não haverá decisão política em relação ao coronavírus no estado de São Paulo", concluiu. Ele ressaltando estar fazendo a 149ª entrevista coletiva para tratar do tema com a imprensa.