PSL-RJ direcionou parte de verba da cota feminina para assessores de Flávio Bolsonaro

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Brazil's Senator Flavio Bolsonaro gestures as he attends Brazil's government auction for offshore oil fields in Rio de Janeiro, Brazil, on November 06, 2019. - Brazil will auction drilling rights to deep-sea oil fields off its southeast coast Wednesday in a blockbuster sale it hopes will raise a whopping $26.5 billion and boost its crude sector. (Photo by Mauro Pimentel / Mauro Pimentel / AFP) (Photo by MAURO PIMENTEL/Mauro Pimentel/AFP via Getty Images)
Assessores de Flávio Bolsonaro eram ligados a empresas contratadas (Foto: Mauro Pimentel/AFP via Getty Images)

O PSL do Rio de Janeiro direcionou mais de 10% da verba para a cota feminina nas eleições de 2018 para empresas ligadas a assessores de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Ambos são suspeitos de envolvimento no esquema de rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando o senador era deputado estadual. A informação foi revelada pelo UOL.

O valor direcionado foi de R$ 49 mil, referente a 27 candidaturas de mulheres, que devolveram metade das verbas eleitorais para duas empresas: a Alê Soluções e Eventos e a Jorge Domingues Sociedade Individual Advocacia. No total, 33 mulheres tentaram a candidatura pelo diretório do PSL do Rio.

Segundo o UOL, primeira empresa é de Alessandra Oliveira, que foi assessora de Flávio Bolsonaro na Alerj, além de primeira-tesoureira da sigla no Rio de Janeiro. Já o escritório de advocacia é ligado a Luis Gustavo Botto Maia, advogado eleitoral de Flávio.

Os dois são investigados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por participação no esquema de rachadinha, quando o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) era deputado estadual.

O UOL ouviu cinco mulheres que foram candidatas em 2018. Elas afirmaram que a contratação das empresas foi direcionada pelo PSL do Rio. Na ocasião, o diretório estadual era presidido por Flávio Bolsonaro.

Questionado, o diretório do PSL no Rio de Janeiro, não respondeu sob a justificativa de que a irregularidade teria acontecido na gestão anterior. A assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro, assim como o advogado dele, não se pronunciou. O mesmo aconteceu com Alessandra Oliveira e Botto Maia, envolvidos com as empresas contratadas pelas candidatas.

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Originalmente, a empresa Alê Soluções e Eventos fazia eventos de pequeno porte. Mas foi contratada pelas 33 candidatas mulheres do PSL-RJ para prestar serviços de contabilidade, como mostrou o UOL.

Já a Jorge Domingues Sociedade Individual de Advocacia foi aberta em 2017 e emitia notas fiscais apenas durante o período eleitoral em 2018.

Cada uma das empresas cobrava R$ 750 pelos serviços. O valor de R$ 1.500 equivale a 52% do que a mais parte das candidatas receberam durante a campanha. Além dos valores, o serviço também desagradou as mulheres que contrataram as empresas, descrito como “malfeito”.

Duas das candidatas envolvidas no esquema eram próximas a Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Uma delas era Edianne Abreu, dentista nomeada por Bolsonaro como coordenadora na Secretaria Nacional do Audiovisual.