Psicólogo avalia sessão de hipnose no 'BBB': "Perigoso"

Foto: Reprodução/Globo

Pyong Lee hipnotizou participantes do ‘BBB 20’ na madrugada desta terça-feira (3) e muitos acharam a experiência divertida, mas nem todos os brothers aprovaram a “brincadeira”. O público também se dividiu nas redes sociais. Há quem acredite que o hipnólogo exagerou ao fazer Ivy abraçar Gabi como se fosse seu próprio filho.

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Em entrevista ao Yahoo!, o doutor em psicologia Jacob Pinheiro Goldberg afirma que o espetáculo exibido em rede nacional é perigoso. Segundo ele, nenhum profissional é onipotente. Trabalhar com elementos profundos das emoções requer muito cuidado e responsabilidade.

“Uma pessoa submetida a uma condição de diminuição da consciência ou de suas vontades pode sofrer consequências que, no caso de um espetáculo feito para milhares de pessoas, pode ter repercussão negativa para a saúde mental”, avalia o especialista.

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Jacob explica que a hipnose é tratada de duas maneiras: há quem a busque como um recurso circense, da mágica, na qual existe uma cumplicidade entre o agente e o “paciente”, e há quem a explore como recurso terapêutico, na qual a vontade do paciente é diminuída e a atuação do hipnotizador é maior.

A sessão comandada por Pyong no ‘BBB 20’ se enquadra no primeiro caso. O participante fez um espetáculo e os brothers toparam a brincadeira por livre e espontânea vontade. Jacob não vê problema ético, mas alerta para os riscos de uma brincadeira como essa ser exibida nacionalmente.

Segundo o psicólogo, as pessoas que assistem podem ser diretamente induzidas. “Imagina se o público começa a exercitar isso em casa por conta própria, copiando os exercícios? Ele não tem o controle de quem está na cena e muito menos do telespectador”, pontua Goldberg.

Caso Pyong fosse mais fundo nas emoções dos participantes e os fizesse revelar informações, por exemplo, o hipnólogo teria violado os preceitos do respeito à integridade da saúde mental dos indivíduos, mesmo tendo eles concordado com a participação no processo.

Em outras palavras, se os hipnotizados dramatizaram e interpretaram uma espécie de número com Pyong, o influenciador não cometeu nenhum tipo de “infração”, mas se os brothers tiveram realmente uma perda de consciência, a “brincadeira” pode se tornar um problema jurídico mais para frente.

“A princípio, existe uma ultrapassagem do rigor legal. A hipnose no Brasil é um instrumento terapêutico e o uso de outra forma ultrapassa os limites. É um caso complexo. Se essas pessoas forem prejudicadas, não só o hipnotizador, mas a própria emissora fica sujeita a responder processo de natureza ética ou lesão e prejuízo pelo juízo ilegal de profissão”, explica o advogado Flávio Goldberg.

Veja alguns trechos da sessão: