PSDB diz que admiração por nazismo não é só de Alvim e o compara a Lula

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em meio à demissão de Roberto Alvim, agora ex-secretário de Cultura do governo de Jair Bolsonaro, após ele ter parafraseado o ministro da Propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels, em um discurso, a conta oficial do PSDB relembrou nesta sexta-feira (17) uma entrevista de 1994 em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou admirar Adolf Hitler.

O partido compartilhou reportagem do jornal Folha de S.Paulo que cita a entrevista. A declaração de Lula foi dada à revista Playboy e preocupou o comando da campanha presidencial do PT daquele ano. Na postagem, acompanhada da reportagem, o PSDB escreveu: "A admiração pelo nazismo não é exclusividade de alguns da cúpula desse governo...", em referência à gestão Bolsonaro.

Na época, quando questionado pela Playboy sobre quais líderes admirava, Lula citou figuras como Tiradentes, Gandhi, Che Guevara, Fidel Castro e Mao Tsé-tung. Sobre Hitler, disse que "mesmo errado", tinha aquilo que ele admirava em um homem: "O fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer".

Questionado pela Folha de S.Paulo em 1994, Lula disse desconhecer a entrevista na Playboy.

Na manhã desta sexta-feira, a Secretaria Especial da Cultura informou por sua assessoria de imprensa que Alvim foi demitido do cargo. A exoneração acontece após Alvim parafrasear Goebbels em um vídeo divulgado no dia anterior sobre o lançamento do Prêmio Nacional das Artes.

"A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional [...], ou então não será nada", afirmou Alvim.

Em maio de 1933, Goebbels, então ministro da Propaganda da Alemanha nazista, disse: "A arte alemã da próxima década será heroica, [...] será nacional [...], ou então não será nada".

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), classificou a fala de Alvim como inaceitável: "O secretário da Cultura passou de todos os limites. É inaceitável. O governo brasileiro deveria afastá-lo urgente do cargo".

Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado, também condenou o discurso de Alvim, considerando-o "acintoso, descabido e infeliz".

Depois que a exoneração do secretário de Cultura veio a público, o presidente Bolsonaro afirmou em redes sociais que Alvim fez um "pronunciamento infeliz" e, "ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência".