Protestos pró-democracia acendem alerta no Planalto e dão esperança para oposição

(Fabio Vieira/FotoRua/NurPhoto via Getty Images)

Manifestações pró-democracia convocadas por torcidas organizadas de diversos times de futebol em São Paulo e no Rio de Janeiro no domingo (31) balançou o cenário político no Brasil.

As torcidas organizadas tomaram a frente da mobilização democrática e contra o fascismo e entoaram gritos na Avenida Paulista, em São Paulo, e na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Leia também

No mesmo horário, bolsonaristas participavam de atos com bandeiras do Brasil, além de outras, como a da Ucrânia, e símbolos americanos. Seguravam também cartazes contra o Supremo Tribunal Federal.

“Só queremos que o presidente possa exercer o mandato pelo qual foi eleito, sem interferência de instituições”, afirmou a deputada federal Major Fabiana (PSL-RJ).

Diante do aumento da tensão popular no Brasil, aliados do presidente temem a possibilidade de repetição de 2013, quando uma mobilização iniciada como um protesto contra aumento da tarifa dos ônibus em São Paulo, cresceu, passou a abordar demandas diversas e acabou com o impeachment da presidente Dilma Roussef (PT).

Antes das mobilizações, a presidente petista tinha aprovação de 57% da população. O presidente Jair Bolsonaro é aprovado por 33%, segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada no dia 28.

A crise econômica causada pela pandemia do coronavírus também pode inflar as manifestações, dizem especialistas.

Por isso, governistas tentam acalmar os ânimos. Em entrevistas, o vice-presidente Hamilton Mourão pediu um ambiente menos conturbado para que o presidente governe.

“Isso é alternância democrática. Deixa esse pacote passar. Se provar que funciona ele será eleito em 2022 e, se não funcionar, ele irá para o lixo da história. Deixa o cara governar”.

O líder da oposição no Senado, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), considera que o presidente da República é o “principal fator de desestabilização do país”.

“Bolsonaro fica de segunda a sexta causando crises, defendendo e promovendo fake news e nada de governar o país. No domingo brinca com a cara do povo e das milhares de famílias que perderam seus entes. [Ontem] bancou o rei do gado enquanto o Brasil padece”, destacou.

Líderes partidários da esquerda acreditam que o cenário pode favorecer o andamento de um processo de impeachment na Câmara. Cerca de 40 pedidos de afastamento de Bolsonaro estão parados na mesa do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Maia insiste que não é o momento de discutir o impeachment de Bolsonaro, já que a prioridade é aprovar projetos para combater a pandemia e promover a recuperação da economia. Mas reafirma que, “no momento adequado”, vai julgar se há ou não crime de responsabilidade por parte do presidente da República.

Para o presidente do Cidadania, ex-deputado Roberto Freire, “o que não cabe é a inércia”. Por isso, o caminho seria “exigir que se instale a CPMI para investigar denúncias e fatos da reunião ministerial, unificar a oposição na rede com uma única palavra ‘Democracia’ em processo para ‘impeachment’, até podermos ir para as ruas”, defendeu.

Ele afirmou que é importante não perder de vista que os manifestantes estavam lá em defesa da democracia, enquanto “do outro lado”, estava “quem pretende destruir a democracia, cassar liberdades e fechar Congresso e STF”.